08/06/2016

John Francis Anthony Pastorius III

JACO PASTORIUS

Era o primogênito de John Francis Pastorius II, baterista e Stephanie Haapala e nasceu em 01 de dezembro de 1951  em Norristown Pensilvania. A família mudou-se para Fort Lauderdale, Flórida ainda jovem e sua educação católica o fez coroinha no Colégio St. Clement em Wilton Manors onde estudou. O "nickname" Jaco tem ligação com sua paixão pelo esporte, como pai era chamado Jack começaram a chama-lo Jacko em alusão a um jogador de beisebol famoso na ocasião (Jocko Colon). Um pianista amigo, Alex Darqui, lhe escreveu um recado e grafou seu nome como JACO, apelido que adotou para toda vida.

Seguiu os passos do pai e a bateria foi o seu primeiro instrumento que tocava em uma banda Las Olas Brass, mas um tombo no futebol americano machucou seu pulso e a bateira virou passado. A ocasião e a necessidade o transformaram no baixista do mesmo conjunto que havia perdido o seu (David Neuebauer).

Suas influencias foram James Brown, Beatles, Miles Davis e Stravinsky e fazia questão dessa ordem, cita alguns outros mas quem lhe despertava atenção era um desconhecido baixista neozelandês, Lucas Cottle, com quem fez algumas gravações. Em 1973 estudou formalmente baixo na Universidade de Miami e tocou com Wayne Cochran, Little Beaver e Ira Sullivan.

Com a prática e dedicação aprimorou-se no baixo e em 1974 continuou sua caminhada agora ao lado de um guitarrista que viria a ser uma lenda, Pat Metheny. Gravou com Pat seu primeiro e pouco cultuado disco Jaco, que tinha Paul Bley ao piano e Bruce Ditmas na bateria. Seguindo a caminhada em 1976 gravou seu segundo álbum, Jaco Pastorius pela Columby Productions - Epic que foi de pronto considerado com um clássico do meio jazzistico da época.

Em 1976 Jaco participou de Bright Size Life álbum de estréia de Pat Methny  e também no de Joni Mitchell, Hegira, com excepcionais performances em ambos. No ano seguinte recebeu um convite e gravou com o Weather Report o álbum Heavy Weather que foi indicado para o Grammy. 

A vida seguiu e começou a germinar um projeto na cabeça de Jaco, o desejo de conduzir uma grande banda e as linhas de baixo deram origem em 1980 a Word of Mouth. Em 1981 gravou um registro com o nome da orquestra pela Warner que levava em seu bojo artistas do quilate de Herbie Hancock, Wayne Shorter, Toots Thielemans, Hubert Laws e Peter Erskine. Os anos seguintes foram de excursões pelo país e pelo Japão onde fez dois registros Twins I e II que, condensados, viraram Invitation nos EUA.

Drogas e álcool ja há algum tempo eram parte de seu cotidiano e em 1984 começaram a dar mostras. O comportamento anti-social e a mudança na orientação musical denotavam uma bi-polaridade bastante evidente e a perda do apoio da Warner levou a banda a se dispersar o que culminou em 1986 com sua internação no Bellevue Hospital em New York. O apoio da ex-mulher Ingrid e do irmão Gregory não foram suficientes para a continuidade do tratamento e Jaco voltou em dezembro para Fort Lauderdale e por semanas viveu nas ruas.

Durante o ano de 1987 passou a exibir, nos lugares que ainda admitiam sua arte, seu gosto pelo excêntrico e pelas dissonâncias de uma forma exagerada e às vezes incoompeensíveis o que derrubou seu prestígio transformando-o no "bad boy" do meio na época.

Um noite de setembro do mesmo ano, ao final de um show de Carlos Santana foi ao Midnight Bottle Club em White Manors na Flórida e seu comportamento arrogante e exibicionista o levou a desentender-se com um segurança do clube e o traumatismo craniano da briga o levou ao coma por dez dias e depois de retirados os aparelhos o ilustre e genial baixista deixou a vida. Era dia 21.  

DISCOGRAFIA

Entre aparições e colaborações aparece nos créditos de 35 LPs de vários e influentes artistas como Ira Sullivan, Al di Meola, Airto Moreira, Flora Purim, Herbie Hancock, Joni MItchell, Pat Metheny, Jimmy Cliff e Mike Stern. Registros com o Weather Report foram oito com destaque para Heavy Weather (1977) e Weather Report (1982). Antologias foram três e discos como líder foram dez - Jaco (1974); Jaco Pastorius 1976); Word Of Mouth (1981); The Birthday Concert (1981); Invitation (1983); Broadway Blues (1986); Hnestly Solo Live (1986); Live In Italy (1986); Heavin' Jazz (1986) e Live In New York City (7 volumes lançados em 1991).

 

JACO PASTORIUS

Dolphin Dance - 1985 na Bélgica - Jaco Pastorius no baixo, John Davis ao piano, Azar Lawrence ao saxofone e Paco Sery na bateria.

05/06/2016

JOHN COLTRANE

John William Coltrane nasceu em Hamlet na Carolina do Norte em 23 de setembro de 1926, filho de John e Alice Coltrane, família musical de pai violinista e mãe cantora. Aos treze depois de terminar o primário no espaço de um mês perde avós, pai e tio. Sobraram ele e a mãe que para sustentar-se e ao filho que estava no secundário arrumou trabalho de doméstica. Na escola a veia musical se aflorou e aprendeu a tocar clarinete na banda e ao ouvir Johnny Hodges, que estava com a Duke Ellington Orchestra,  abandona o instrumento e passa a interessar-se pelo sax alto, tendo como êmulos além de Hodges, Lester Young. 

Durante a segunda guerra muda-se para Phildaelphia e arruma um emprego numa refinaria de açucar e frequenta a Ornsten Shool Of Muic e o Granoff Studios e começa a tocar em alguns bares e cafés. Em seguida entra para a Marinha e em julho de 46 grava com um grupo de marinheiros Hot House de Tadd Dameron. Volta do Havaí sem entrar em combate e cai no vício, comportamento comum a quase todos que enveredam pela música na ocasião. No mesmo ano entra para a banda de Parker e como o líder tocava o "alto" John muda para o "tenor".

Em 1948 passa para a Howard McGhee All Star e em seguida para a banda de Dizzie Gillespie e grava com o grupo o seu primeiro registro solo We Love to Boogie. Passa na sequencia no grupo de Earl Bostic (1952) e posteriormente no de Hodges (1954) do qual é demitido em função da droga.

Em 1955 "recuperado" recebe convite de Miles, apresenta-se no Festival de Monterrey e passa a fazer parte do MIles Davis Quintet com Red Garland ao piano, Paul Chambers no double bass e Philly Joe Jones na bateria.. Pernamece no grupo até o verão 56 quando o vício exacerbado obriga Miles, recuperado dele a 3 anos já, a desliga-lo, volta em 57 mas sem chance, Miles cansa e o substitui por Sonny Rollins.

Em maio 1957 a Prestige o contrata e ainda que permaneça fazendo side man para outros grupos, grava o seu primeiro LP solo com Johnny Splawn, Sahib Shihab, Mal Waldron e Al Heath chamado simplesmente Coltrane ou Fisrt Trane. Passa rapidamente pelo Thelonious Monk Quartet, mas a presença de Wilbur Ware e Shadow Wilson o faz gravar quatro LPs com Monk. Em agosto do mesmo ano grava Blue Train para a Blue Note, com Lee Morgan, Kenny Drew, Curtis Fulles, P.J Jones e Paul Chambers. Em 1958 volta para o grupo de Miles e grava vários LPs participando do clásico Kind Of Blues. Em 1959 muda para o selo Atlantic Records e grava com Milt Jackson o maravilhoso Bags & Trane e transpõe a galeria dos mortais.

Seu contrato acaba com a Atlantic com o Olé Coltrane! e ele passa para Impuslse! e Rudy Van Gelder passa a monitora-lo e daí em diante é sucesso após sucesso, seu quarteto com McCoy Tyner, Elvin Jones e Steve Davis arrasa com registros incríveis como My Favorite Sings e até a mudança do quarteto com Reggie Workman (db) e Eric Dolphy (rd) contibuiu para o engrandecimento ainda mais claro de John. As influencias de Sun Ra e John Gilmore passam  ser mais notáveis e Chasin' The Trane é um marco e o movimento "New Thing" de Ornette Coleman migra para o Free Jazz influencia muito John e ainda que haja uma certa desaprovação, especialmente com Dolphy no combo, Coltrane continua a gravar John Contrane &Johnny Hartman e Coltrane For Lovers são exemplos disso

A Love Supreme é considerada a sua maior obra e sucesso comercial e de público entretanto suas músicas não são de fácil digestão e já mostravam o interesse crescente de John com o som progressivo e se torna um líder do movimento a incentivar seus companheiros de selo e esse movimento evideciou alguns nomes como Archie Sheep, Gary Peacock,  Sunny Murray, Albert Ayler, Pharoah Sanders e John Tchikai e os '60 foram dominados por essa "evolução" que para dar cabo da criatividade as músicas se estendiam de 30 a 60 minutos com solos às vezes de até 15 minutos. A marca dessa época é o LP Interstelar Spaces em dueto com Pharoah com o suporte de Rashad Ali e Alice Coltrane, sua segunda esposa.

Em 17 de junho de 1967, depois de uma vida cheia de drogas e álcool, muita criatividade e transições, o câncer no fígado o venceu e John foi sepultado no Pinelawun Memorial Park, Sufolk em New York. Sua esposa Alice manteve inéditas muitas da peças dos últimos anos e em 2007, quando morreu as legou ao filho deles  Ravi Coltrane para revisão, edição e lançamento, mas como Ravi também é músico e deu prioridade a sua carreira até hoje as obras permanecem inéditas.

DISCOGRAFIA

São 45 participações para grandes músicos como Earl Bostic, Gay Crosse, Dizzy Gillespie, Johnny Hodges, Dinah Washington, Thelonious Monk. Com Miles Davis participou de Kind of Blues. Como sideman de Paul Chambers, Tadd Dameron, Elmo Hope, Kenny Burrell, Mal Waldron, Red Garland, Art Taylor, Milt Jackson, Gene Ammons, Tommy Flannagan entre outros e inumeráveis volumes como líder dos quais citaremos alguns mais significativos: Impressions (1961); Ballads (1962); John Coltrane & Johnny Hartman (1963); Love Supreme (1964); Infinity (1965); Meditations (1965); Live In Japan (1966 - 4 discos) e Interestelar Space (1967).

 

JOHN COLTRANE

John Coltrane - Cousin Mary

31/05/2016

LEE MORGAN

Nasceu em 10 de julho de 1938, quarto filho de Otto e Nettie Morgan, Edward Lee Morgan se interessava inicialmente pelo vibrafone e depois sax alto mas aos treze anos ganhou de sua irmã Ernestine um trompete e aí Clifford Brown encheu a casa literalmente dado que o próprio foi o seu primeiro mestre e maior influencia. Aos dezoito juntou-se, isso mesmo juntou-se porque seu domínio do instrumento era tal que não houve dúvidas, à banda de Dizzie Gillespie e por lá ficou por dezoito meses, até que a banda acabou.

Em 1956 começou, também, sua história de 24 regitros pessoais e autorais com a Blue Note Records além de sideman com mais 250 músicos. Transitou  por toda a e breve existência da Vee Jay/Jazzland Records (4) e um pela Savoy Records. Participou também em LPs de Hank Mobley e de John Coltrane e é interessante o registro do uso de um trompete com a boca em ângulo nesses trabalhos (presentado a ele por Dizzy Gillespie).

Em 1958 juntou-se ao Art Blakey's Jazz Messengers onde paulatinamente desenvolveu o seu talento de solista e compositor. Excursionou por vários anos com Blakey e foi destaque em numerosos álbuns do grupo como Moanin' o mais conhecido gravado pela banda. Quando Benny Golson deixou a banda Morgan convenceu Blakey a contratar Wayne Shorter, um jovem saxofonista seu amigo, para preencher a cadeira, Bobby Timmons ao piano, Jimmy Merrit no baixo completaram a formação que gravou o clássico Freedom Rider.

Em 1961 Morgan, como boa parte dos músicos de sua geração rendeu-se à heroína e a droga o fez afastar do conjunto e do palco e como voltou para casa (na Philadelphia) teve sua carreira interrompida.

Retornou em 1963 e a Blue Note lhe deu a guarida de sempre e o trompetista apresentou ao público The Sidewinder, seu maior sucesso comercial.  Aconteceu que sua música foi usada pela Chrysler durante a World Series em sua propaganda sem seu consentimento e do selo, fato que depois de discutido e dirimido pelos advogados da gravadora e do sponsor do baseball Lee permitiu o uso de outros temas nos comerciais como aconteceu com Cornbread do LP de mesmo nome e Yes I Can, No You Can't do LP The Gigolo. O baterista Billy Hart recorda que Morgan lhe confidenciou que seu maior sucesso, The Sidewinder, foi feito às pressas e para preencher o álbum e ficou estupefacto com o sucesso.

A chegada de Grachan Mancour III e sua vanguarda e criatividade permitiram a Lee a gravação de Evolution que lhe rendeu muito sucesso também. O êxito alcançado até então deu espaço para que o compositor realmente crescesse e Search for The New Land atingiu o top vinte da lista de R&B. Deu lugar a Freddie Hubbard no Messengers e juntou a outro grupo e alinhando-se a John Gilmore participou , para a BBC TV, do Jazz 625, primeiro programa do gênero na televisão.

Durante os '60 continuou a produzir  e gravou cerca de 20 álbuns como líder e um sem número deles como sideman. Em seus últimos anos de vida passou a ser mais politicamente engajado e um dos líderes do Jazz And People's Movement que tinha como bandeira a participação efetiva de músicos de jazz como performers e membros de orquestras. Nessa ocasião seu combo tinha na palheta Bennie Maupin, no piano Harold Mabern, no baixo Jimmy Merrit e Mickey Roker na bateria e em julho de 1970 gravou, durante um evento do JPMovement no Hermosa Beach Club um Lp ao vivo chamado Live at The Light house, seu último registro gravado.

Morgan foi assassinado nas primeiras horas de 19 de fevereiro de 1972 no Slug's Saloon, um clube de jazz no East Village em New York onde sua banda trabalhava. Uma altercação com sua esposa - Helen More (a.k.a. Morgan) - no camarim a levou a alveja-lo que, a princípio não foi especialmente grave, mas a demora do socorro ocasionado pela nevasca que atingia a cidade o levou à morte, privando o cenário do jazz de um músico talentosíssimo e um compositor extremamente profícuo.

DISCOGRAFIA

São 29 LPs  a maioria, 24, da Blue Note, da Vee-Jay/Jazzland 4 e 1 da Savoy Records: Lee Morgan Indeed! (1956); Introducing Lee Morgan (1956); Lee Morgan Sextet (1957); Lee Morgan, vol 3 (1957); City Lights (1957); The Cooker (1957); Candy (1957); Here's Lee Morgan (1960); The Young Lions (1960); Expobident (1960); Lee-Way (1960); Take Twelve (1962); The Sidewinder (1963); Search fo the New Land (1964); Tom Cat (1964); The Rumproller (1965); The Gigolo (1965); Cornbread (1965); Infinity (1965); Delightfulee Morgan (1966); Charisma (1966); Th Rajah (1966); Standards (1967); Sonic Boom (1967); The Procrastinator (1967); The Sixth Sense (1967); Taru (1968); Caramba! (1968) e Live At Lighthouse (1970).

 

LEE MORGAN

Lee Morgan - The Sidewinder

21/05/2016

BENNY GOODMAN

Nasceu em Chicago, nono filho de doze de uma familia judia pobre que emigrou da Polonia em 1892. Mãe Dora. lituana, pai David, alfaiate que aportaram em Baltimore e depois migraram para Chigaco e em 30 de maio de 1909 Benjamin nasceu. Quando Benny tinha 10 anos seu pai o colocou par aprender musica na sinagoga. Da banda juvenil para o treinamento com o clarinetista Franz Schooep e as influencias de Johnny Dodds, Leon Rapollo e Jimmie Noone, um passo. Aprendeu rápido e, ainda jovem, já tocava em várias bandas.

Em 1921 tocou profissionalmentee pela primeira vez no Central Park Theatre em Chicago e até 1926 passou por várias bandas (Bix Biederbeck, Ben Pollock) e estudou no Lewis Institute. Em 1926 seu pai morreu em acidente de automóvel e, ainda que Benny fizasse parte da Ben Pollock Orchestra, foi um tempo de muita tristeza.

A vida seguiu, até 1929 continuou na OBP e Benny já figurava ao lado de Glenn Miller, Tommy Dorsey e Joe Venutti na All Star Orchestra dirigida por Nathaniel Shilkret. A gravadora Bruswik faz esse e outros registros de Benny e Glenn. Durante esse período trabalho com músicos como  John Hammond, Jack Teagarden, Joe Sullivan, Gene Krupa, Teddy Wilson, Coleman Hawkins e até a emergente Billie Holiday.

Em 1934 a banda de Fletcher Anderson se dispersou e Benny contratou o arranjador e alguns músicos e estava no auge o Let"s Dance da Columbia Radio com outras bandas, mas contando com os arranjos do recem contratado em 1935 a banda de Benny já ocupava uma boa parte do programa e com a audiência aumentando a banda permaneceu até maio quando o patrocinador deixou o programa o que, apesar da multidão de fãs, não permitiu  a continuação do programa e Benny em maio de 1935 passou a excursionar com a banda pelo país mas infelizmente a a receptividade não foi boa e a banda se desfez em agosto do mesmo ano.

Em julho de1935 Benny gravou King Porter Stomp e Sometimes I'm Happy e as revistas Down Beat e Melody Maker fizeram boas críticas e numa apresentação em Oakland a banda teve um boa recepção com uma multidão de dançarinos entusiastase esse acontecimento marcou o inicio da "swing era".

Em 1937, após o sucesso  que se multiplicou pelo país lavando a banda a apresentar-se no Carnegie Hall, ainda que Benny exitasse músicas como Don't Be That Way, Sometimes I'm Happy, One O'Clock Jump, Honeysuckle Rose e Sing, Sing, Sing dirimiram qualquer dúvida a respeito de Benny Goodman, seus músicos e arrajadores. O sucesso havia chegado.

Em 1939 John Hammond ouviu Charlie Chistian e o recomendou a Benny que não via com bom olhos a eletrificação, mas Hammond insistiu e o colocou a tocar no intervalo da banda num concerto em Beverly Hills e Benny ficou maravilhado com a performance do guitarrista, que passou dois anos a tocar no sexteto do clarinetista.

A carreira com orquestra, quarteto e sexteto ao lado do sucesso e aceitação e com muita popularidade contiunou até 1941. O advento da entrada do EUA na guerra ainda segurou o swing por algum tempo, mas uma nova onda se aproximava dos caminhos do jazz. O bebop de Parker já ocupava boa parte da audiência. 

Em 1938 Benny já transitava pelo clássico e Mozart, Brahms, Milhaud e Debussy já eram parte do universo de Goodman que serviu-se desse apelo e de 1946 a 1950 gravou uma série de concertos.

A banda continuou e passou a se apresentar com muitos convidados como Louis Armstrong e o sexteto, especialmente, viajou pelo mundo todo e Lionel Hampton, Teddy Wilson, Gene Krupa, Jimmy Knepper, Jerry Dodgion, Turk Van Leik, George Benson eram parte do time de Goodman que se manteve ativo, apesar de problemas de saúde, até o ataque do coração que o derubou em 13 de junho de 1986 aos 77 anos.

DISCOGRAFIA

Extensa, com 49 registros entre gravação em estúdio, ao vivo e compilações, destacamos algumas: Benny Goodman and The Giants of Swing (1929); Sing, Sing, Sing (1935); The Birth of Swing (1935); Air Play (1936); From Spirituals from Swing (1938); Mozart Clarinet Quintet (1938); Featuring Charlie Christan (1939); Swedish Pastre (1948); The Great Benny Goodman (1956); In Stockholm (1959); Benny Goodman In Moscow (1962); London Date (1969); Pure Gold (1975); Benny Goodman Live At Carnegie Hall - The 40th Concert (1978); e Live - Benny Let's Dance. 

 

Benny Goodman

Benny Goodman - Sing, Sing, Sing

16/05/2016

JOHN LEE HOOKER

Nasceu em Coahoma, próximo a Clarksdale, Mississipi em 22 de agosto de 1917 de uma família meeira e seu sua primeira influencia musical veio de seu padrasto, Will Moore. Na verdade John Lee demorou a engrenar uma carreira musical, por volta de 1940 passou por Memphis e Detroit onde arrumou um emprego de zelador numa fabrica de automóveis e entretinha seus amigos e vizinhos com sua cantoria nas festas de famíla.

Elmer Barbee, seu patrão ao ouvi-lo o apresentou a Bernard Besman um produtor musical que o revelou para o meio musical e a partir de 1948, sua primeira gravação de Boogie Chillen pela Sensations Records já  fez sucesso. Com a venda do primeiro disco abriu-se novas oportunidades para gravar e surgiram I'm In The Mood e Crawling Kingsnake e Hobo Blues pela gravadora Vee Jay Records.

John Lee estava lançado para o público, especialmente após viajar pela Europa onde tocou junto de conjuntos músicais e músicos em evidência por lá como The Animals, John Mayall e Yardbirds que apresentaram seu som para audiências ávidas de novidades da epóca. Moveu-se também pelos EUA e a California rendeu projetos com Van Morrison e Canned Heat. As viagens tanto nos EUA como para a Europa viraram uma constante e Boom BoomThe Healer apareceu para consagrar o músico e cantor.

Seu estilo meio falado, que se tornaria sua marca registrada, sua liberdade ritmica, muito comum nos músicos do Delta, sua entonação vocal bem menos associada aos músicos de bar e seu estilo casual e meio cantado do início diminuiu com o advento do blues elétrico mas John Lee nunca deixou as características primordiais de seu som.

Sua carreira foi construída pelas suas características únicas, também pelo surgimento de aficcionados pelo blues que dominava a cena musical, com público branco que se deliciava com seu swing e quase obrigando músicos como Bob Dylan, Keith Richards, Carlos Santana a se aproximarem do bluesman e a graavação de The Healer com a qual ganhou o Grammy o consagrou definitivamente.

Em 1994 Hooker passou por uma cirurgia que o afastou dos palcos por um tempo e em sua volta em 1995 gravou Chill Out mas parou com os shows regulares.

Gravou mais de 500 músicas e aproximadamente 100 álbuns. Foi casado e divorciado por 4 vezes, teve 8 filhos e era dono de um clube noturno em San Francisco o Boo Boo Room inspirado em uma de suas músicas de sucesso. Morreu dormindo em sua casa em Los Altos Califórina em 21 de junho de 2001. 

DISCOGRAFIA

São muitos discos simples, duplos, LPs,  álbuns e coletâneas, destaremos alguns dos mais significativos: The Folk Blues of John Lee Hooker (1959); That's My History (1960); Plays And Sing The Blues (1961); Burnin' (1962); The Real Folk Blues (1966); Urban Blues (1967); Simply The Truth (1968); Moani' And Stopin' Blues (1970), Coast To Coast Blues Band (1971); Free Brae And Chicken (1974); The Cream (1978); Hooked On The Blues (1979); Everybody Rockin' (1981); The Healer (1989); Boom Boom (1992); Chilli Out (1995) e Don't Look Back (1997).  

 

John Lee Hooker

John Lee Hooker - 1991 Newport - Concerto inteiro - 50 minutos

13/05/2016

MJQ por kboing.com

MODERN JAZZ QUARTET

O combo estabeleceu-se em 1952 e sua premissa era o apuro técnico na difusão do jazz e para tanto o cool, o blues e o bebop que executava se somava à música clássica sempre presente em seu repertório especialmente as peças de J. S. Bach. John Lewis ao piano, Milt Jackson ao vibrafone, Percy Heath ao baixo e Connie Kay à bateria foi a sua formação mais duradoura.

Sob a liderança de John Lewis eles talharam seu próprio nicho pela especialização, elegância, sua música contida pelo uso sofisticado de contraponto ainda que sem perder a força e o sentimento do blues. Lewis sempre entendeu que Bach e o blues eram compatíveis e a combinação da forma clássica com a improvisação do jazz se harmonizavam criando, dessa forma, a almejada polifonia.

A historia do quateto remonta a 1946 quando Lewis, Jackson e Clarke, membros da Dizzy Gillespie Big Band se juntaram a Ray Brown formando o Milt Jackson Quartet que foi um projeto paralelo até 1951. Em 1952, Percy Heath substituiu Ray Brown e o quarteto se desligou da banda e passou a se chamar Modern Jazz Quartet. Em 1955 a última mudança foi a troca de Kenny Clarke por Connie Kay.

O quarteto ao longo do tempo sempre incluia músicas clássicas, mas seu repertório consistia predominantemente de bebop e standards da era do swing. De 1952 a 1955 o quarteto esteve sob o selo da Prestige Records tempo em que se viu nascer duas das mais famosas composições do grupo, Django - uma homenagem ao papa europeu da guitarra Django Reinhardt e Bags' Groove (Bags, apelido de Milt). De 1956 até 1974 gravaram sob a égide da Atlantic Records.

Em 1974 o grupo se desfez e cada um dos componentes, músicos de altíssima qualidade foram cuidar de suas carreiras solo e sem exceção alcançaram seus objetivos,  sem no entanto deixarem de se reunir eventualmente. O MJQ realizou sua última gravação em 1993 e o grupo parou com as reuniões ocasionais quando Connie morreu em 1994, cinco anos depois Milt se foi, Lewis em março de 2001 e Heath em abril de 2005, transferindo-se, dessa maneira e definitivamente, o MJQ só para a nossa lembrança. 

Em 1957 os componentes do MJQ receberam o primeiro doutorado honorário do Berkiee College Of Music que é, até hoje, a maior faculdade independente de música do mundo.

DISCOGRAFIA

São 44 registros e 8 compilações. Destacamos alguns de maior relavância: The Modern Jazz Quartet (1952); Concord (1955); Django (1955); Pyramid (1959); The Comedy (1962); Colaboration (1964); Space (1969); Under The Jasmin Tree (1969); Blues On Bach (1974); The Last Concert (1974); Reunion at Budokan (1981); Echoes (1984); Three Windows (1987) e MJQ and Friends A 40th Anniversary Celebration (1993).

 

Modern Jazz Quartet e Laurindo Almeida

Samba de uma nota só (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça)