11/06/2016

JIMMY BURNS

Foi em Dublin, Mississipi, que nasceu em 27 de fevereiro de 1943, aprendeu a tocar guiatrra de 12 cordas, a cantar no coro da igreja e foi influenciado pelo que ouvia nas ruas. Seu músico e cantor favorito era Lightining Hopkins. Seu pai trabalhava como cantor em um show itinerante popular e tinha outros dez filhos um dos quais Eddie, assim como Jimmy era também cantor e guitarrista.

Aos doze anos mudou-se com a família para Chicago e quatro anos depois ingressou no Medallionaire que gravou vários singles de rhithm and blues com backnig vocal suave (doo-wop). Gravando solo a maioria das vezes nos anos '60 trabalhou para  Minit, Tip And Top e Erica Records. Criou um grupo " The Fantastic Epics" com o qual excursionou pelo meio-oeste e com outro grupo de nome "The Gas Company" seguiu cantando pelos EUA até os 70s.

Seu single I Really Love You de 1972 foi nominada entre as 500 melhores Northern Soul é muito admirada e buscada por colecionadores. Jimmy afastou-se da indústria musical no início na sequencia para cuidar e recuperar a churrascaria da família. Cantou e tocou ocasionalmente até o início dos anos 90s.

Voltou a cantar regularmente quando se estabeleceu no Chicago Smokedaddy Club e lá foi ouvido pelo patrão da Delmark Recors, Bob Koester, que o convenceu a gravar um uma série de músicas para a gravadora. O disco Leaving Here Walking foi produzido por Scott Dirsk e lançado em 1996. Tornou-se rapidamente um sucesso, levou o premio de melhor álbum do ano pela National Association of Independent Record Distributors e recebeu duas nominações no WC Handy Award e Jimmy retornou com tudo com uma turnê internacional.

Em 2002 gravou com o irmão Eddie, outro magistral cantor e guitarrista o LP Snake Eyes e até hoje vai cantando e encantando todos com sua simpatia, sua arte inquestionável. Seu grupo atual inclui Anthony Palmer (gu), E.G. McDaniel (bs) e James Carter (ba).

DISCOGRAFIA

Sua discografia é pouco extensa uma vez que se dedicou a outra atividade por muito tempo só retomando, efetivamente, sua carreira em 1996. Seus singles são Forget It (1964); Give Her To Me (1965); You Gonna Miss Me When I'm Gone (1966); I Don't Need (1966); I Tried (1967); I Really Love You (1972) e Can't Get Over (1980). Seus albuns de estudio são Leaving Here Walking (1996); Night Time Again (1999); Back To The Delta (2003); Stuck In The Middle (2011) e It Ain't Right (2015). Tem um album gravado ao vivo Live at B.L.U.E.S de 2007 que é simplesmente genial.

 

 

Jimmy Burns - Wild About You Baby

16/05/2016

JOHN LEE HOOKER

Nasceu em Coahoma, próximo a Clarksdale, Mississipi em 22 de agosto de 1917 de uma família meeira e seu sua primeira influencia musical veio de seu padrasto, Will Moore. Na verdade John Lee demorou a engrenar uma carreira musical, por volta de 1940 passou por Memphis e Detroit onde arrumou um emprego de zelador numa fabrica de automóveis e entretinha seus amigos e vizinhos com sua cantoria nas festas de famíla.

Elmer Barbee, seu patrão ao ouvi-lo o apresentou a Bernard Besman um produtor musical que o revelou para o meio musical e a partir de 1948, sua primeira gravação de Boogie Chillen pela Sensations Records já  fez sucesso. Com a venda do primeiro disco abriu-se novas oportunidades para gravar e surgiram I'm In The Mood e Crawling Kingsnake e Hobo Blues pela gravadora Vee Jay Records.

John Lee estava lançado para o público, especialmente após viajar pela Europa onde tocou junto de conjuntos músicais e músicos em evidência por lá como The Animals, John Mayall e Yardbirds que apresentaram seu som para audiências ávidas de novidades da epóca. Moveu-se também pelos EUA e a California rendeu projetos com Van Morrison e Canned Heat. As viagens tanto nos EUA como para a Europa viraram uma constante e Boom BoomThe Healer apareceu para consagrar o músico e cantor.

Seu estilo meio falado, que se tornaria sua marca registrada, sua liberdade ritmica, muito comum nos músicos do Delta, sua entonação vocal bem menos associada aos músicos de bar e seu estilo casual e meio cantado do início diminuiu com o advento do blues elétrico mas John Lee nunca deixou as características primordiais de seu som.

Sua carreira foi construída pelas suas características únicas, também pelo surgimento de aficcionados pelo blues que dominava a cena musical, com público branco que se deliciava com seu swing e quase obrigando músicos como Bob Dylan, Keith Richards, Carlos Santana a se aproximarem do bluesman e a graavação de The Healer com a qual ganhou o Grammy o consagrou definitivamente.

Em 1994 Hooker passou por uma cirurgia que o afastou dos palcos por um tempo e em sua volta em 1995 gravou Chill Out mas parou com os shows regulares.

Gravou mais de 500 músicas e aproximadamente 100 álbuns. Foi casado e divorciado por 4 vezes, teve 8 filhos e era dono de um clube noturno em San Francisco o Boo Boo Room inspirado em uma de suas músicas de sucesso. Morreu dormindo em sua casa em Los Altos Califórina em 21 de junho de 2001. 

DISCOGRAFIA

São muitos discos simples, duplos, LPs,  álbuns e coletâneas, destaremos alguns dos mais significativos: The Folk Blues of John Lee Hooker (1959); That's My History (1960); Plays And Sing The Blues (1961); Burnin' (1962); The Real Folk Blues (1966); Urban Blues (1967); Simply The Truth (1968); Moani' And Stopin' Blues (1970), Coast To Coast Blues Band (1971); Free Brae And Chicken (1974); The Cream (1978); Hooked On The Blues (1979); Everybody Rockin' (1981); The Healer (1989); Boom Boom (1992); Chilli Out (1995) e Don't Look Back (1997). 

John Lee Hooker - One Bourbon, One Scotch, One Beer

23/04/2016

ERIC CLAPTON 

Nasceu em Ripley na Inglaterra em 30 de março de 1945 apelido Slowhand e é conhecido com um dos maiores guitaristas vivos. Criado pelos avós e "filho secreto" de sua irmã mais velha Patrícia e um aviador canadense assim se manteve a situação como código secreto da família marcando o garoto com a timidez, com a solidão e o silêncio, mas ainda assim ele se considerava privilegiado uma vez que o ambiente rural de Ripley criava um mundo de fantasias e seus amigos Guy, Stuart e Gordon eram sua companhia. Aos treze trabalhava na entrega de cartas e ganhou seu primeiro violão. A dificuldade inicial com o instrumento era superada com o seu esforço em aprender. Aos dezoito com um empurrão de Tom McGuiness ingressou na banda The Roosters na qual ficou até agosto de 1963. Aí surgem os Yardbirds. 

Mick, Keith e Brain então tocavam R&B e seu amigo Keith o incluiu. A banda foi mudando para o pop e Eric foi saindo e John Mayall & The Bluerebakers foi o seu caminho para transformar-se e Londres começou a notar pichações nas paredes de toda a cidade "Clapton is God" fruto da qualidade do músico e das músicas inspirando os seus fanáticos fans. 

Em 1966 junto a Jack Bruce e Ginger Baker criou a banda Cream. Clapton já ostentava nessa época a fama de melhor guitarrista da Grã-Bretanha, as brigas entre Bruce e Baker e a visita de Jimmy Hendrix abalaram profundamente a confiança do guitarrista e aí acabou-se o Cream no álbum Goodbye. O fim da banda o aproximou a George Harrisson que já trilhava o caminho da cultura hindu e músicas em parceira Badge, While My Guitar Gently Weeps apareceram no White Albun dos Beatles. Foi desse tempo a música Layla em homenagem a Patty Boyd, mulher de Harrison, por quem Eric se apaixonou.

Em 1969 participou do grupo Blind Faith com Baker, Winwood e Gresh que resultou um álbum e uma turnê americana, entretanto sua fama e o grupo Cream mais Blind Faith o cansou e ele retirou-se e foi Delaney Branllet com seu grupo que o trouxe de volta e o incentivou a compor e a voltar a tocar, a parar com a morte de Hendrix, a voltar com turnês pela Amérira e além da paixão por Patty Boyd, mulher de seu amigo Harrison, chegou a heroína e com ela um hiato significativo na carreira.

O retorno só aconteceria em 1975. Relativamente limpo formou uma nova banda com a qual rodou o mundo e da qual resultou E.C. Was Here, álbum soberbo. Essa volta, relativamente calma e sem a repercussão de antes e do final dos '70 até os '90 altos e baixos acompanharam o músico e cantor, a volta das drogas e o alcolismo, o casamento e a separação com Yvonne Khan, a morte de Steve Ray Vaughan, a morte Connor, seu filho com Lori Del Santo povoaram o inferno astral que vivia. Desse período o evento no qual teve uma participação significativa Crossroads Guitar Festival, criado para contribuir com a causa do tratamento da dependência de drogas, foi o fundamento para a retomada de sua carreira.

Em 1999, quando trabalhava num album de B.B.King encontrou Melia McEnery com quem se casou e teve três filhas (Julia, Ella e Sophie) e sua ligação com o Crossroads, que tem acontecido a cada quatro anos, a contribuição decisiva à instituição com os lelilões das suas famosas guitarras, a retomada da carreira solo, composições como Tears in Heaven (para Connor) o devolveram à parada. Em 2004 e em função do trabalho da Crossroads foi condecorado pela rainha com o CBE (Comandante Da Ordem do Imprério Britânico) e em 2007 escreveu seu livro auto-biográfico e continua até hoje a nos brindar com o seu toque refinado, sua incrível e marcante voz e muitos blues.

DISCOGRAFIA

Muito extensa, mais de 50 albuns entre estúdio e ao vivo, destacamos alguns: Five Live Yardbirds (1964); Having a Rave Up (1965); Fresh Cream (1966); Wheels Of Fire (1968); Blind Fight (1969); Eric Clapton (1970); Layla and Other Assorted Love Songs (1970); In Concert (1973); 461 Oceean Boulevard (1974); EC Was Here (1975); Slowhand (1977); Another Ticket (1981); Behind The Sun (1985); Crossroads (1988); Rush (1992); Unplugged (1992); From The Cradie (1997); Riding With The King (2000); Bakc Home (2005); Clapton (2010); Old Sock (2013) e Forever Man (2015).

Eric Clapton - Little Queen Of Spades - Crossroads Festival 2007

04/04/2016

ETHA JAMES

Jamesetta Hawkins nasceu em Los Angeles em 25 de janeiro de 1938 e cantou ao longo de sua vida blues, rhythm and blues, jazz e gospel. Miss Peaches para variar começou na escola da igreja batista Saint Paul, aos cinco.  Aos doze já integrava um conjunto musical. As Creolettes chamaram atenção de Johnny Otis que sacou o James de seu nome e a inventou.

Daí para o mundo da música foi só aparecer Johnny "Guitar" Watson e no blues já despontava uma dama.

At Last, All I Could Do As Cry e Trust In Me e Harvey Fuqua a levaram ao sucesso e como não poderia deixar de acontecer às drogas, à obesidade e à desilusão amorosa que a companharam até 2003 quando uma cirurgia gástrica a emagreceu 100 quilos.

Estrela na Calçada da Fama, tour pela América com os filhos, três Grammys 1995, 2004 e 2005, Blues Music Award 1980 e Blues Hall Of Fame 2002, Grammy Lifetime Achievement Award em 2003 e uma montanha de discos.

Diana Ross, Cristina Aguilera, Janis Joplin, Bonnie Rait, Rod Stewart e Rita Ora são alguns que se valeram de Etta para comporem suas linhas e caracteres musicais.

Alzheimer em 2008, infecções diversas em 2010 e leuceima em 2011 derrubaram a grande dama e em 20 de janeiro, cinco dias antes dos 74 nos deixou em Riverside na California. Jaz ao no mesmo Inglewood Cemitery em companhia de, também grandíssimo, Chet Baker.

DISCOGRAFIA 

Entre álbuns em estúdio, ao vivo, compilações, singles, sidewoman e colaborações são mais de 100 edições. A lista que apresentamos reune os mais significativos:

At Last! (1960); Second Tim Around (1961); The Queen Of Soul (1965); Tell Mamma (1968); Etha James Sings Funk (1970); Come A ittle Closer (1974); Deep In The Night (1978); Changes (1980); Seven Years Itch (1989); The Right Time (1992); Time After Time (1995); Hearth Of A Woman (1999); Let's Roll (2003); All The Way (2006) e The Dreamer (2011). Entre os álbuns ao vivo dois se destacam Blues From The Big Apple (1980) e Burning Down The House (2002) gravado na HoB (House Of Blues, Los Angeles).

Etta James - I'd Ratther Go Blind - 2001

12/03/2016

B. B. KING

No Mississipi, em Itta Bena, setembro de 1925 veio ao mundo um garoto que ganhou o nome de Riley e que como todos na pequena cidade teve uma infância rodeada do branco do algodão e do branco dominador e, sozinho, colhia os flocos brancos para os brancos e se sustentava assim aos 9 anos. As cantorias e lamentos dos colhedores despertaram no garoto a vontade de se aventurar pela música e já na época aproveitas as poucas folgas para defender algum nos cafés e bares do lugar e assim complementar a escassa renda do trabalho regular.

Aos dezoito, com sua guitarra e uma economia miserável abandonou a terra para buscar seu espaço na música. Memphis foi o seu objetivo onde a cominidade musical negra já conseguia espaço e se fazer ouvir. 

Django Reinhardt, Blind Lemon Jefferson, Lonnie Johnson, Charlie Christian e T Bone Walker passaram a fazer parte da vida de Riley e o aprendizado com esses mestres o catapultaram  definitivamente para o blues. Stormy Monday de T Bone Walker sacramentu a intenção e suge daí o Blue Boy no lugar do Riley. O mesmo Sonny foi quem ofereceu à B.B. sua primeira oportunidade oferecendo ao ainda gaoto  espaço para mostrar seu talento rude e despolido.

O rádio depois o Grill Sixteen , mais rádio até pp Sepia Swing Club fizeram com que ao B.B. se juntasse o King.

Em 1951 Three O'Clock Jump trouxe um sucesso que lhe permitiu excursinar batendo recordes de apresentações a ponto de em 1956 sua banda ter tido apenas 23 dias de descanso e nos restantes 342 aconteceram concertos diários. Cafés, ghetos, ball rooms, jazz e rock clubs passaram a ser os endereços da banda e ao longo da década evoluiram para salões maiores e mais refinados. A fama chegou de modo avassalador e o mundo ficou pequeno para B.B. agora o "Rei do Blues".

Seu estilo inconfundível e inimitável que durante as seguintes 5 décadas o elevou ao status do mais conceituado e reverenciado representante do blues.  Seu estilo inspirador levou guitarristas de todas as vertentes a beber de sua fonte e seguirem sua técnica como estilo. Nessa lista se incluem Albert Collins, Buddy Guy, Freddie King, Oris Rush, Jimmy Hendrix, Johnny Winter, Eric Clapton, George Harrison, Jeff Beck e Mike Bloomfield.

Participou das turnês dos Rolling Stones abrindo os concertos por 18 vezes. Sua presença abrilhantou um série de festivais de jazz e blues. Newport, monterrey, Kool e Montreaux entre outros se renderam ao talento do rei, isso sem esquecer do circuito universitário e colegial. Brindou platéias de mais de 90 países.

Grammys diversos en 1971 e 2006. Embaixador das guitarras Gibson pelo mundo ao imortalizar suas inseparáveis companheiras Lucilles tendo doado uma delas, autografada ao Museu Nacional da Música dos EUA no ano 2000. Em 2004 foi agraciado  com o título de PhD honorário pela Universidade do Mississippi. Foi agraciado pelo Conservatório Real Sueco com o Premio de Música Popular. Em 2006 o presidente do Estados Unidos colocou-lhe no peito a Medalha Nacional das Artes que é a maior comenda individual conferida em nome do povo americano a um artista.

A diabetes crônica o acompanhou por grande parte de sua vida e o levou aos 89 anos, quando dormia, em 15 de maio de 2015, deixando um silêncio ímpar no blues e contrariando o adágio "rei morto, rei posto".

NUNCA HAVERÁ OUTRO REI COMO BLUES BOY KING.  

DISCOGRAFIA

1. King Of The Blues (1960); 2. My Kind os Blues (1960); 3. Live At The Regal (1965); 4. Lucille (1968); 5. Live And Well (1969); 6. Completely Well (1969); 7. Indianola Mississippi Seeds (1970); 8. B.B. King In London (1971); 9. Live in Cook County Jail (1971); 10. Live In Africa (1974); 11. Lucille Talks Back (1975); 12. Midnight Believer (1978); 13. Live "Now Appearing" at Ole Miss (1980); 14. There Must Be a Better World Somewhere (1981); 15. Love me Tender (1982); 16. Why I Sing the Blues (1983); 17. B.B. King and Sons (1990); 18. Live At San Quentin (1991); 19. Live At The Apollo (1991); 20. There is Always One More Time (1991); 21. Deuces Wild (1997); 22. Blues On The Bayou (1998); 23. Ridin with the King ( 2000); 24. Reflections (2003); 25. The Ultimate Collection (2005); 26. B.B. King and Friends: 80 (2005) e 27. One Kind Favor (2008).

B.B. King - The Thrill Is Gone - Montreux 1993