02/08/2016

João Rubinato

ADONIRAN BARBOSA - Homenagem de aniversário

Nasceu em Valinhos (na época um distrito de Campinas) em 02 de agosto de 1910 filho de imigrantes italianos vindos de Cavarzere no Veneto, Francesco Rubinato e Emma Richini chegaram ao Brasil em 15 de setembro de 1895 e foram para Tietê, depois Valinhos, Jundiaí, Santo André e São Paulo.

"Entrou para a história da Música Popular Brasileira como um dos maiores nomes da cultura e da produção artística de São Paulo, um originalíssimo cronista musical da vida de sua cidade. Suas primeiras composições foram Minha vida se consome, com Pedrinho Romano e Verídico, e Socorro, com Pedrinho Romano.
 
Tentava a sorte em programas de calouros da Rádio Cruzeiro do Sul de São Paulo. Em 1933, foi aprovado num desses concursos, interpretando o samba Filosofia, de Noel Rosa. Iniciou carreira artística a convite do cantor Paraguaçu, que o levou a se apresentar  num programa semanal (de 15 minutos de duração), onde era acompanhado por  conjunto regional. Em 1935, teve sua primeira composição gravada, a marcha Dona boa,  registrada por Raul Torres na Columbia, composição na qual  colocou versos em música de J. Aimberê. Essa marcha recebeu o prêmio de primeira colocada em concurso de músicas carnavalescas promovido pela Prefeitura de São Paulo. Ainda nesse mesmo ano, adotou o pseudônimo com o qual se tornaria posteriormente conhecido pelo grande público.
 
Entre os anos de 1935 e 1940, atuou na Rádio Cruzeiro do Sul como cantor e animador de programas de discos. Em 1941, levado por Otávio Gabus Mendes, transferiu-se para  a Rádio Record, onde fez radioteatro numa série chamada Serões Domingueiros. Por essa época, trabalhava na emissora Osvaldo Moles, responsável pela criação de diversos personagens com linguajar tipicamente popular, tipos que iriam influenciar profundamente sua obra produzida nos anos subseqüentes. Em 1943, foi formado o conjunto Demônios da Garoa e passou a atuar com o grupo. Passaram a animar a torcida nos jogos de futebol promovidos por artistas de rádio no interior paulista. Em 1945, participou do filme Pif-Paf, e em 1946, do filme Caídos do Céu, ambos dirigidos por Ademar Gonzaga. 
 
Em 1951, gravou seu primeiro disco, na Continental, com a marcha-rancho Os mimosos colibri, de Hervê Cordovil e Osvaldo Moles, e o samba Saudade da maloca, de sua autoria. Nesse ano, seu samba Malvina foi premiado em concurso carnavalesco em São Paulo e gravado pelos Demônios da Garoa e lançado pelo selo Elite Special para o carnaval do ano seguinte. Em 1952, gravou o Samba do Arnesto, de sua autoria e Alocin, e o samba Conselho de mulher, de sua autoria, José B. Santos e Osvaldo Moles. Nesse ano, fez com Osvaldo França, o samba Joga a chave, premiado em concurso carnavalesco da cidade de São Paulo e gravado pelos Demônios da Garoa. Em 1953, atuou no filme O cangaceiro, de Lima Barreto. Em 1955, os Demônios da Garoa gravaram Saudosa maloca e Samba do Arnesto, este, parceria com Alocin, músicas onde firmou seu estilo peculiar de composição, retratando o universo das camadas populares de São Paulo, com linguajar  caipira e paulistano italianado. São essas as características básicas do estilo que o tornou o compositor mais popular da cidade de São Paulo.
 
Saudosa maloca foi logo depois registrada pela cantora Marlene e é considerado um dos seus maiores sucessos, a ponto de ser incluído na coletânea As 14 músicas do século XX, produzido por Ricardo Cravo Albin no ano 2.000 para a E.M.I/Odeon. Ainda nesse ano, os sambas Conselho de mulher e As mariposas foram gravados com grande sucesso pelo grupo Demônios da Garoa.Em 1956, teve o samba Iracema, outro de seus grandes sucessos, gravado pelos Demônios da Garoa na Odeon. O mesmo grupo gravou também no mesmo período os sambas Um samba no Bixiga, Quem bate sou eu, com Artur Bernardo, e Apaga o fogo Mané. No mesmo ano, o grupo Os Modernistas gravou seu samba O legume que ele quer, parceria com Manezinho Araújo. Em 1957, lançou Bom-dia tristeza, uma única parceria com o poeta Vinicius de Moraes, cujo esboço original de Vinicius lhe foi entregue inicialmente pela cantora Aracy de Almeida, que logo depois a gravaria. Em 1958, seus sambas Pafunça, com Osvaldo Moles, e Abrigo de vagabundos foram gravados pelos Demônios da Garoa. Nesse ano, gravou os sambas Pafunça, com Osvaldo Moles, e Nois não usa os bleque tais, com Tião. Gravou também o samba Pra que chorar, de Peteleco. No lado A desse disco Paulo Augusto gravou sua marcha Dotô Vardemá (Conheço muito), parceria com Geraldo Blota e Raguinho. Em 1959, mais um samba gravado pelos Demônios da Garoa: No morro da Casa Verde.
 
Em 1960, fez em parceria com Osvaldo Moles, o samba Tiro ao Álvaro gravado posteriormente por ele e Elis Regina. Por essa época, Osvaldo Moles escreveu especialmente para ele o programa História das malocas, inspirado no samba Saudosa maloca, programa no qual interpretou com sucesso o personagem "Charutinho", criado por Moles.  A História das malocas, foi apresentada até 1965 na Rádio Record, chegando a ser levada para a televisão.
 
Em 1965, os Demônios da Garoa lançaram aquele que seria seu maior sucesso, o samba Trem das onze, composição que recebeu prêmio no concurso de músicas de carnaval no quarto centenário da fundação do Rio de Janeiro. A música marcaria definitivamente a carreira do compositor, tornando-se um verdadeiro hino da cidade de São Paulo, com repercussão em todo o país. Participou de novelas e programas humorísticos da TV Record de São Paulo, como Papai sabe nadaCeará contra 007. Em 1968, participou da I Bienal do Samba com Mulher, patrão e cachaça, com Osvaldo Moles. Atuou como radioator e também em telenovelas especialmente na Rádio e Tv Record. 
 
Em 1973, atuou na primeira versão da novela Mulheres de areia, de Ivani Ribeiro na TV Tupi. Em 1974, lançou seu primeiro LP individual, registrando antigas e novas composições como Abrigo de vagabundos, As mariposas, Apaga o fogo Mané, Trem das onze, Saudosa maloca e Iracema. No ano seguinte, lançou o LP Adoniran Barbosa interpretando entre os sambas No morro da casa verde, Vide verso meu endereço, Tocar na banda, Malvina, Não quero entrar, Samba italiano, Triste margarida (Samba do metrô), Mulher, patrão e cachaça, Pafunça, Samba do Arnesto, Conselho de mulher e Joga a chave. Nos últimos anos de sua vida, suas apresentações tornaram-se esporádicas, sempre restritas à região metropolitana de São Paulo, com acompanhamento do Grupo Talismã. Em 1977, apresentou-se no Teatro 13 de Maio, no Bairro paulista do Bixiga juntamante com os sambistas cariocas Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Kéti, Mário Lago e Carlos Cachaça.
 
Em 1980,  a EMI-Odeon lançou o LP Adoniram Barbosa em comemoração aos 70 anos de vida do compositor. Para a ocasião, foram convidados inúmeros intérpretes, entre os quais, Elis Regina, Clara Nunes, Clementina de Jesus, Djavan, Carlinhos Vergueiro, entre outros, contando com a direção de Fernando Faro. Nesse disco, Elis Regina cantou Tiro ao Álvaro, com Osvaldo Molles; Roberto Ribeiro Bom dia tristeza, com Vinícius de Moraes; Djavan, Agenta a mão, João, com Hervé Cordovil; o grupo MPB 4, Vila Esperança, com Marcos César; Clementina de Jesus e Carlinhos Vergueiro, Torresmo à milanesa, com Carlinhos Vergueiro, e Gonzaguinha, Despejo na favela.  Nessa época, dividiu com Radamés Gnatalli a trilha sonora do filme Eles não usam black-tie. Em 1984, foi lançado pelo selo Eldorado o LP Documento inédito onde aparecem raridades como o prefixo do programa Fino da bossa, com ele e Elis Regina, além de falas suas entrecortadas por músicas como Só tenho a ti, parceria com a poetisa Hilda Hilst, Fala Mathilde, Rua dos Guimarães e outras.
 
Em 1996, foi lançado  pela Editora Globo um  CD e o fascículo "Adoniram Barbosa", dentro da "Coleção MPB - Compositores". No ano 2000, o violeiro Passoca lançou CD com composições inéditas do autor de "Trem das Onze" nas comemorações dos 90 anos de nascimento do sambista. Suas composições inéditas foram guardadas por Juvenal Fernandes, escritor amigo do sambista, que trabalhou em editoras de música e tem um baú com 90 letras do compositor. Em 2001, a gravadora Kuarup lançou o CD "Adoniran ao vivo", último show do compositor gravado no extinto Ópera Cabaré, de São Paulo, em 1979. Foi homenageado pelo cantor baiano e do movimento tropicalista Tom Zé no disco "Estudando o samba" na música "Augusta, Angélica e Consolação". Em 2002, foi lançado o livro "Adoniran, dá licença de contar...", pela editora 34 com um rico material iconográfico, autoria de Ayrton Mugnaini Jr.
 
No mesmo ano, foram lançados mais dois livros sobre a vida e a obra do compositor Adoniran Barbosa - O poeta da cidade, de Francisco Rocha, e Adoniran - Se o senhor num tá lembrado, de Flávio Moura e André Nigri. Em 2007, foi lançado em DVD sua participação no programa Ensaio apresentado por Fernando Faro pela TV Educativa em programa gravado em 1972 (video no Sidão a Parada), no qual o sambista paulista interpretou clássicos de sua autoria como Saudosa maloca, Samba do Arnesto, As mariposasUm samba do BixigaTrem das onze e Prova de carinho, além de outras menos conhecidas como Joga a chave, Por onde andará Maria e Dondoca. Em 2009, foi lançado um livro-agenda como parte das comemorações do centenário de nascimento do compositor em 2010. Segundo Fred Rossi idealizador da série Anotações com arte, "O formato livro-agenda permite um olhar leve, que combina com Adoniran". No livro são destacadas curiosidades como o parecer da censura sobre a música Tiro ao Álvaro, a foto da aliança que ele deu a Mathilde de Lutiis, sua mulher durante 40 anos, além de trechos de entrevistas do autor de Trem das onze, como uma na qual ele afirma que "O Vanzolini é um erudito, eu sou pitoresco", fazendo uma comparação entre o compositor Paulo Vanzolini e ele. Em 2010, no dia em que completaria cem anos de nascimento foi reverenciado por diversas reportagens que rememoraram sua carreira e os maiores sucessos. Também por ocasião das comemorações por seu centenário de nascimento foi lançado pela gravadora Lua Music o CD Adoniran 100 anos produzido por Thiago Marques Luiz, com direção musical de Rovilson Pascoal e André Bedurê. O CD contou com a participação de 37 artistas interpretando 33 composições de João Rubinato, o verdadeiro nome do compositor. Entre outros fizeram parte da gravação Arnaldo Antunes, Markinhos Moura, Zélia Duncan, Maria Alcina, Cauby Peixoto, Vânia Bastos, Edgard Scandurra, Quinteto Em Preto e Branco, Verônica Ferriani, Diogo Poças, Graça Braga, Passoca e o grupo Demônios da Garoa. O CD foi lançado em uma série de oito shows gratuitos no Centro Cultural São Paulo reunindo vinte dos artistas que participaram do projeto. Ainda em 2010, foi homenageado com o livro Trem das onze sobre sua obra poética inspirada nos tipos de São Paulo e no linguajar típico dos habitantes mais pobres da grande metrópole. O livro foi ilustrado com fotos de época de fotógrafos como Hildegard Rosenthal, Alice Brill e Gautherot. Foi também homenageado por dois maestros. No teatro Oi Casa Grande, na zona sul do Rio de Janeiro, o maestro Wagner Tiso regeu a Orquestra Petrobras Sinfônica que tocou obras de autoria de Adoniran, contando ainda com as participações especiais do violinista Nicolas Krassik, do saxofonista Nailor Proveta, do cavaquinista Henrique Cazes e do gaitista Gagriel Grossi. Já no Teatro Municipal, centro do Rio de Janeiro, o maestro Júlio Medaglia regeu a Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro no tema "Variações sobre o Trem das Onze", seu grande clássico.
 
Em 2012, seu samba Saudosa maloca foi interpretado pela cantora Sonia Delfino na homenagem prestada no Instituto Cultural Cravo Albin à cantora Marlene, por ocasião do 90º aniversário natalício da mesma, com a abertura da exposição Marlene - 90 anos de glórias, em show que contou ainda com as participações de Dória Monteiro e Ellen de Lima, que formam o grupo Cantoras do Rádio. Em 2014, foi lançado pela Editora Dead Hamster a revista em quadrinhos Quaisqualigundum, alusão ao refrão do samba Trem das Onze. Com roteiro de Roger Cruz e desenhos de Davi Calil, o gibi, segundo reportagem do jornal O Globo, "é todo ambientado no universo das canções do cantor e compositor paulista Adoniran Barbosa". (...) "Além de Saudosa Maloca, as outras músicas que inspiram o álbum são Apaga o fogo Mané", Samba no Bixiga e Samba do Arnesto. O enredo mistura tramas narradas nas canções, como a busca de Mané por sua mulher, Inez; uma briga generalizada no Bixiga; o saudosismo de quatro amigos por uma maloca; e o sumiço de Arnesto, anfitrião de um samba no Brás".
 
Adoniran foi casado com Olga Khun e teve uma filha, Maria Helena Rubinato, que é tradutora, separou-se de Olga em 1943 e casou-se com Matilde de Luthis com quem viveu sues últimos 40 anos, faleceu de enfisema pulmonar em 23 de novembro de 1982 e está sepultado no Cemitério da Paz em São Paulo, conforme seu desejo. Dicionário Cravo Albim de Música Popular Brasileira.
 
FILMOGRAFIA
 
O Cangaceiro (1953); Candinho (1954); A Carrocinha (1955); A Pensão de Dona Estela (1956); Bruma Seca (1961) e Elas São do Baralho (1977).
 
DISCOGRAFIA
                                                                                                             
Os Mimosos Colibris e Saudosa Maloca (1951); Samba do Arnesto e Conselho de Mulher (1952) Samba do Arnesto e Saudosa Maloca (1955); P'ra que Chorar (1958) e Aqui Gerarda/Jro, Amor (sem data) - todos em 78 RPMs; Adoniran Barbosa (1974/1975); Seu Último Show (1979); Adoniran Barbosa e Convidados (1980); Além de coletâneas com outros intérpretes são póstumos os seguintes: Documento Inédito (1984); Meus Momentos (1999) e Reedição 2 em 1 Adoniran Barbosa (2003).
 
 

06/08/2016 - Homenagem

Adoniran Barbosa e Elis Regina - Iracema, Samba no Bixiga e Saudosa Maloca no Bar da Carmela em 1978.

22/07/2016

Nelson Antonio da Silva

NELSON CAVAQUINHO

"Nasceu em 29 de outubro de 1911 na Rua Mariz e Barros, no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro. O pai, Brás Antônio da Silva, era contramestre da Banda da Polícia Militar e tocava tuba. A mãe, Maria Paula da Silva, foi lavadeira do Convento de Santa Teresa. O tio, também músico, juntamente com o pai e amigos, organizava, aos domingos, rodas de samba em sua casa.

Por volta de 1919, a família, fugindo de aluguel, mudou-se para a Rua Silva Manuel, depois para a Rua Joaquim Silva, ambas na Lapa.

Frequentou a escola primária Evaristo da Veiga, abandonando o curso para trabalhar como eletricista.

Na Lapa, fez amizade com os então chamados "valentes" Brancura, Edgar e Camisa Preta. Mais tarde, adolescente, foi morar com a família no subúrbio de Ricardo de Albuquerque para, finalmente, se estabelecerem em uma vila operária do bairro da Gávea, onde frequentava os bailes dos clubes Gravatá, Carioca Musical e Chuveiro de Ouro, conhecendo músicos decisivos em sua formação, como Edgar Flauta da Gávea, Heitor dos Prazeres, Mazinho do Bandolim e o violonista Juquinha. Alguns desses músicos eram empregados de uma fábrica de tecido local. Do violonista Juquinha, receberia importantes noções de como tocar cavaquinho. Nesta época, Nelson Cavaquinho cunhou a sua marca e também a maneira peculiar de tocar o instrumento apenas com dois dedos, ganhando, a partir daí, o apelido de Nelson do Cavaquinho. Aos 16 anos, sem dinheiro para comprar o instrumento e pagar um professor, treinava em cavaquinho emprestado. Por essa época, trabalhava, também, como pedreiro e compôs a sua primeira música, o choro "Queda". Apresentou-o aos músicos amigos Juquinha, Eugênio, Mazinho e Filhinho, que formavam um conjunto de choro e samba. Logo depois, foi chamado para integrar o conjunto, que atuava em shows nos clubes da redondeza da Gávea. Ainda nesta época, frequentava a roda de choro que acontecia na Rua da Conceição, no centro do Rio de Janeiro, na qual se reuniam músicos como os irmãos Romualdo e Luperce Miranda.  Apesar de tocar bem o cavaquinho, era sempre necessário pedi-lo emprestado. Ao vê-lo nessa situação, Ventura, um jardineiro português, deu-lhe de presente o instrumento.

Em 1931, conheceu Alice Ferreira Neves. Meses depois, arrastado para a delegacia pelo pai da moça, casava-se com Alice, com quem teve quatro filhos. O casal foi morar no subúrbio de Brás de Pina. O pai de Alice indicou-o para servir na Cavalaria da Polícia Militar. Por essa época, o pai de Nelson Cavaquinho alterou a sua certidão de nascimento para 29/10/1910, um ano mais velho, para que pudesse ingressar na cavalaria. Nelson Cavaquinho e seu cavalo de nome "Vovô" patrulhavam o Morro da Mangueira, local onde fez amizade com sambistas como Zé Com Fome (Zé da Zilda) e Carlos Cachaça. Ao conhecer Cartola, na Quadra da Mangueira, e depois de ficar muito tempo conversando com este, seu cavalo Vovô voltou sozinho para o Batalhão, o que ocasionou mais uma vez, a sua detenção. Ficar detido era comum naquela época, já que passava dias sem ir ao quartel, em decorrência da boemia. Sobre este fato narrou:

"Eu ia tantas vezes em cana que já estava até me acostumado com o xadrex. Era tranqüilo, ficava lá compondo. Entre as músicas que fiz no xadrex está 'Entre a cruz e a espada' ".

No ano de 1938, antes de ser expulso da corporação, conseguiu dar baixa e, separado da mulher e afastado dos filhos, ingressou, de vez, na boemia e dedicou-se à música. 

Mudou-se para o Morro da Mangueira em 1952.

No ano de 1969 foi lançando o documentário "Nelson Cavaquinho", com direção de Leon Hirszman. Filmado quatro anos antes, o trabalho contou com fotografia de Mário Carneiro, som de Gilberto Macedo e montagem Eduardo Escorel. Na trilha, entre outros clássicos do compositor ('Luz negra' e 'A falecida') foram incluídas duas composições pouco conhecidas e pouco gravadas à época: 'Dama das camélias' e 'Pimpolho'.

Teve vários relacionamentos até que, no início da década de 1960, conheceu Durvalina, trinta anos mais nova do que ele, com quem viveu até a sua morte, ocorrida na madrugada de 18 de fevereiro de 1986, vitimado por um enfisema pulmonar.

Em sua homenagem, ao CIEP do bairro da Chatuba (em Mesquita), foi dado seu nome, graças aos esforços dos professores Sérgio Fonseca e Alda Fonseca. Na ocasião da inauguração, houve um show de Guilherme de Brito e Velha-Guarda da Mangueira.

Sobre sua forma de levar a vida, sempre na boemia, uma passagem muito interessante foi descrita pelo parceiro Eduardo Gundin que lembra do dia em que dirigindo o carro, ligou o rádio e passou a ouvir uma entrevista do compositor para o programa "Balance", da Excelsior. "A certa altura, o apresentador perguntou a Nelson quais eram os seus planos. E ele:

'Meus planos? O Gudin vai passar aqui para me pegar e vamos beber no Bar do Alemão'".

No ano de 2011 em comemoração ao centenário do compositor foram feitas várias homenagens, entre as quais a de ter sido enredo da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, que desfilou com o samba-enredo "O filho fiel, sempre Mangueira", de Alemão do Cavaco, Cesinho Maluco, Xavier, Ailton Nunes, Rifai e Pê Baianinho, tendo como intérpretes Luizito, Zé Paulo Sierra e Ciganerey, classificando a escola em terceiro lugar na disputa do carnaval carioca deste ano. Neste mesmo ano o compositor foi homenageado pelo Instituto Cultural Cravo Albin com a exposição fotográfica "Vozes de Nelson Cavaquinho", do fotógrafo Ricardo Poock, com curadoria do poeta Jorge Salomão. Ainda em 2011 foram feitas outras homenagens ao compositor, como o show da Velha-Guarda da Mangueira e Elton Medeiros abrindo a série "Som em 4 Tempos", na Sala Funarte Sidney Miller, no Rio de Janeiro. O bandolinista Afonso Machado (do grupo carioca de choro Galo Preto) lançou, pela ND Comunicação, no Museu da República, no Rio de Janeiro, um livro com entrevistas (feitas entre os anos de 1999 e 2001) com vários amigos dando depoimento sobre o compositor, entre os quais João Nogueira, Guilherme de Brito e Jair do Cavaquinho. Zé Renato e Leandro Braga apresentaram um show no Espaço Tom Jobim sobre a obra do compositor. No Instituto de Educação de Surdos, no Rio de Janeiro a homenagem ficou por conta da exibição do filme do cineasta Leon Hirszman sobre Nelson Cavaquinho. Neste mesmo ano o compositor e cantor Zé Renato participou do programa de auditório "Agora no Ar!", da Rádio Roquette Pinto, escrito e apresentado por Ricardo Cravo Albin, todo dedicado à obra do compositor mangueirense.

No ano de 2013 foi citado em verbete no livro "Frutos da Terra: Sambas e Compositores Iguaçuanos", organizado por Otair Fernandes e Edna Inácio da Silva e Silva, publicado pelo Núcleo LEAFRO (Laboratório de Estudos Afro-brasileiro e Indígenas), da UFFRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro)." Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

DISCOGRAFIA

Nelson jamais se preocupou com a posteridade vivia um dia depois do outro então é muito parco seu material gravado. A pesquisa nos remete a uns poucos registros que listamos a seguir: Depoimentos do Poeta pela Castelinho (1970); Nelson Cavaquinho - Série Documento pela RCA  (1972); Nelson Cavaquinho pela Odeon (1973) e As Flores em Vida (1985) pela Eldorado

Nelson Cavaquinho - A Flor e o Espinho - Show !!!

João Bosco de Freitas Mussi

24/05/2016

JOÃO BOSCO

Nasceu em Ponte Nova, Minas Gerais em 13/071946 - Dia Mundial do Rock e João Bosco de Freitas Mussi começou a cantar na igreja ainda com quatro anos e dona Lilá e seu Daniel o presentearam aos doze com um violão. O garoto para não falhar com o dia montou uma banda de garagem X-Gare e foi o rock que o iniciou na música. Em 1962 muda-se para Ouro Preto e o advento da bossa nova faz com que seu caminho mude, o ingresso em 1967 na Faculdade de Engenharia e a amizade com Scliar o põe em contato com Vinicius de Moraes e já em 1970 contava com o parceiro de composição que viria a ser o mais frequente: Aldir Blanc. Forma-se em Engenharia em 1972 mas aí a bossa nova o jazz e o tropicalismo já tinha tomado conta de seu vida e em 1973 muda-se para o Rio de Janeiro.

Já conhecia Elis Regina que em 1972 havia gravado uma parceria sua com Aldir, Bala com Bala e a interpretação da cantora do bolero Dois p'ra lá, dois p´ra cá fez com que sua carreira ganhasse impulso. Selou um contrato com a gravadora RCA que produziu o seu primeiro disco - Joaõ Bosco. Em 1974 intensifica a parceria com Aldir e disso surge o grande sucesso Mestre Sala dos Mares que dá nome a seu segundo disco. A partir dái é uma sucessão de músicas, discos e uma grande aceitação por parte do público que, contagiado pelo seu frenético violão e sua voz extremamente bem colocada, o guinda ao estágio de cantor, músico e compositor muito acima da média (Sérgio Ricardo).

Esse patamar levou João a criar registros que não só permitiram a Elis estrelar na década de oitenta dois shows inesquecíveis Transversal do Tempo  Falso Brilhante, como também ter  Ângela Maria, Rildo Hora e Toots Thielemans participando de seus trabalhos e mais cinco LPs. Os oitentas começam com mais trabalho, Festival de Jazz Montreux com críticas excelentes de Le Monde e Libération. Mudança de gravadora e Ai, Ai, Ai de Mim, seu primeiro da CBS tem a participação de Harvey Mason, Ronnie Foster e David Sanborn e Festival conta com Lee Ritenour, Mister Fingers, na guitarra. É sucesso atrás de sucesso e a década culmina com uma nova participação no festival em Montreux.

Sua posição, então, e a partir dos noventa se solidifica e João passa a ser um astro da música brasileira com projeção internacional, especialmente na Europa de onde recebe convites para participação não só em festivais, Montpellier, Bordeaux, Montreux, como também em turnês extensas pelo continente. Muda então para Sony Music, sempre na companhia de grandes estrelas com Chico, Caetano, Paulinho da Costa, Paulo Moura, Cesar Camargo Mariano, Joe Henderson, John Patitucci. Interessante registrar também sua participação no JCV Jazz Festival em 1998 onde dividiu o palco com Lenny Andrade, Toninho Horta e Egberto Gismonti.

O novo século se inicia e sua produção não para e agora secundada pelo filho poeta, Francisco Bosco, de cuja parceria surge As Mil e Uma Aldeias com arranjos de Jaques Morelembaum. Turnês nos Eua e Europa na companhia de Gonzalo Rubalcaba, pianista cubano, ocupam 2001 e em 2002 recebe o título de Cidadão Ouropretano. Em 2003 ainda pela Sony grava o seu disco comemorativo aos 30 anos de carreira com 11 faixas inéditas e Malabaristas do Sinal Vermelho ainda conta com Andar com Fé de Gil.

Em 2004 João e Aldir receberam o prêmio SHELL de música e fizeram uma turnê pelo país, Estados Unidos e Europa. Em 2006 lança o CD Obrigado Gente ao vivo, agora pela Universal, com a participação de Yamandú Costa, Guinga, Djavan e Hamilton de Hollanda. Participa, também, do 17o. Festival Enjoy Jazz em Ludwigshaffen na Alemanha outra vez com Gonzalo Rubalcaba. Em 2007 participa de 10 concertos no Brasil com a NDR Big Band da Alemanha. 2008 é marcado por participações no Bossa Brasil Pictures Festival em New York, com a Orquestra Jazz Sinfônica em São Paulo, no Projeto 200 anos do Banco do Brasil, Montreux com família Jobim e Milton Nascimento. Em 2009 entra no estúdio para o Não vou para o Céu, mas já não vivo no Chão com inéditas e em 2010 vai para a estrada para divulgação. É lançado na Alemanha o CD gravado com a NDR Big Band.

Em 2012 são 40 anos de carreira, CD e DVD 40 anos depois com a participação de João Donato, Toninho Horta e Roberta Sá. Em 2013 é o homenageado do 23o. Prêmio da Música Brasileira que gera o CD 23o. Prêmio da Música Brasileira. E João continua a nos brindar com seu drive, balanço e competância até hoje.

DISCOGRAFIA

São 26 registros em 5 selos diferentes - RCA/Sony, Ariola, Barclay, CBS, Universal, destacamos alguns: João Bosco (1973); Caça à Raposa (1975); Linha de Passe (1979); Comissão de Frente (1982); Gagabirô (1984); Cabeça de Negro (1986); Ai, Ai de Mim (1987); As Mil e Uma Aldeias (1997); Benguelê (1998); Malabaristas do Sinal Vermelho (2003); Senhoras do Amazonas (2008); Não Vou Pro Céu, Mas Já Não Vivo no Chão (2009) e 40 Anos Depois (2012).

João Bosco - De Frente para o Crime

Cauby Peixoto Barros

CAUBY PEIXOTO

Veio ao mundo em Niterói em 10 de fevereiro de 1931 e era o mais novo de seis irmãos que passaram muitas dificuldades juntos da mãe Alice com a morte precoce do pai, Eliziário e aí aparece a figura de dona Corina, cunhada de Alice, que os ajuda.

A nova casa em São Francisco Xavier os tira de Fonseca onde moravam entretanto Cauby não deixa de voltar com frequencia para ver a namorada, Josélia, com quem gostava de dançar e chegou a ganhar concursos. Os points animados eram Ringue e Barreto e Cauby não deixava também de frequenta-los e gostava muito de praia para aperfeiçoar seus dotes de nadador.

Era uma família de músicos os Peixotos e os discos do irmão Moacyr traziam Silvio Caldas e Orlando Silva ao convívio  e a canção Rosa (de Pixinguinha e Otávio de Souza) era a paixão do garoto e era a Era do Rádio e todos gostavam de ouvir e cantar na família.

Em 1945, aos quinze Cauby, a exemplo dos irmãos, tratou de ajudar a família e, mesmo sabendo que sua meta era a música, aventurou-se pelo comércio e sapataria, perfumaria, especialmente, onde chegou a ser cotado para a gerência, mas a música falava mais alto e às vésperas da promoção abandonou o trabalho não sem antes de ir à Rádio Tupi onde fez testes no programa Cacique no Ar e logo nas primeira apresentações o novato já se destava dos demais.

Cauby então foi ocupando espaços e depois da Hora do Comerciário, com canjas  nas boates  e teatros. Sérgio Britto, ator e diretor, relata primeira vez que o viu no palco do Teatro Rival, nos intervalos do espetáculo "A Brasiliana" de Askanazy, disse que sua presença e sua voz encantadora o impressionaram sobremaneira.

Assim foi Cauby crescendo e prosperando e nessa altura seus dois irmãos, Moacy e Andyara já estavam atuando na noite de São Paulo e Cauby decidiu que era chegada a hora de acompanha-los após sua dispensa do Exército. Era 1951 e com a ajuda dos irmãos realizou a sua primeira gravação pelo selo Carnaval, o 78 chamado Saia Branca tinha qualidade mas devido sua pouca fama teve baixa repercussão.

Em 1952 conheceu Di Veras, empresário da época que já usava estratégias de marketing para promover seus representados levou Cauby para a Rádio Nacional. A influencia do empresário no modo de vestir, no aproach e a voz permitiram ao cantor trabalho o tempo todo até chegar sua primera gravação de sucesso em 1955 Blue Gardenia versão em português e sucesso de seu ídolo Nat Cole. No início de 1955 foi convidado a excursionar pelos EUA e entre idas e vindas fez alguns registros gravados em inglês com a orquestra de Paul Weston e o pseudônimo Ron Coby e foi tal o sucesso que até 1959 foi e voltou aos EUA diversas vezes a até emplacou um  quinto lugar entre os álbuns (I go, versão de Maracangalha ára o inglês) mais tocados por lá e ainda participou do filme "Jamboreé" da Warner Brothers.

Nos intervalos dessas viagens e o sucesso tendo chegado Cauby não parou mais de trabalhar, filmes, apresentações, gravações o elevaram ao status de estrela. Aliados a essa projeção uma revista americana o considerou, em 1954, o homem mais bonito do Brasil e outra, em 1956, o Elvis Presley brasileiro, uma vez que foi o primeiro a gravar um rock em português.

Durante a déca de 60 limitou-se a apresentações em boates e e clubes e dedicou-se a administrar a boate carioca Drink comprada em sociedade com os irmãos.

 Ainda em 1956 fez participação no filme "Com Água na Boca" cantando seu maior sucesso Conceição, em 1957 acompanhado por The Snakes de Erasmo Carlos cantou That's Rock  (de Carlos Imperial) num filme de grande sucesso "Minha Sogra é da Polícia" e em 1958 cantou com Nat "King" Cole, seu ídolo da juventude.

Nos 70 televisão, casas noturnas de Rio e São Paulo, projeto Pixinguinha.

Nos 80 os 25 anos de carreira com o lançamento do LP Cauby, Cauby com composições de Caetano, Chico, Jobim e Roberto Carlos, temporada com os irmãos Moacyr ao piano e Araken ao Trompete e vários LPs de sucesso.

Em 89  os 35 anos de carreira foram comemorados na Baiuca, em São Paulo, onde se apresentou novamente com os irmãos somados às irmãs Yracema e Andyara que gerou pela RGE o LP Quando os Peixotos se encontram. Em 1993 foi homenageado com o Premio Sharp ao lado de Ângela Maria.

Até 2016 viveu em São Paulo ao lado de sua fã, empresária e cuidadora Nancy Lara, a responsável pelo seu figurino, marca registrada de toda a carreira, agenda, cenários, montagem de placo e repertórios. Vinha se apresentando nas noites de segunda-feira no Bar Brahma na Ipiranga com São João a mais de uma década e nos shows sempre acompanhdo por Ronaldo Rayol seu amigo (irmão do cantor Agnaldo Rayol). Em maio de 2015 foi homenageado com um documentário - Cauby - Começaria tudo outra vez, de Nelson Hoineff.

Caubi nos deixou antes de ontem, domingo 15, aos 85 anos vítima de uma pneumonia, seu velório aconteceu nas dependências da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e seu corpo foi sepultado no Cémitério de Congonhas. Cala-se a voz poderosa de Cauby e só resta a lembrança de uma vida bem vivida e disposta a entreter e agraciar seus fãs com qualidade e competência.

DISCOGRAFIA

São incontáveis os registro musicais e filmográficos de Cauby, os mais significativos são: Saia Branca (1951); Blue Gardenia (1954); Conceição (1956); Música e Romance (1958); Cauby Canta Novos Sucessos (1961); Um drink com Cauby e Lenny (1968); Superstar (1972); Cauby Peixoto (1979): Cauby! Cauby! (1980); Ângela & Cauby (1992); Millenium (1999); Cauby;   A Bossa e o Swing de Cauby (2004); Canta Baden (2006); Cauby Sings Sinatra (2010) e Cauby Sings Nat King Cole.

Cauby Peixoto - Eternamente Cauby - Show inteiro gravado no Olympia - São Paulo

17/03/2016

Elis Regina Costa Carvalho

ELIS REGINA - Homenagtem de Aniversário

Nasceu em 17 de março de 1945 em Porto Alegre e para não ficar com o nome de homem recebeu um "Regina" entre o "Elis" e o "Costa Carvalho".

Ela chegou para cantar e o "Clube do Guri" da Rádio Farroupilha foi o primeiro endereço de sua voz aos 11 anos. Wilson Rodrigues Poso, vendedor da Continental que a viu cantar aos 15 anos sugeriu a gravadora que a contratasse, na sequencia a Rádio Gaúcha também se incorporou à vida da garota em 1960. No ano seguinte foi para o Rio de Janeiro onde gravou seu primeiro disco "Viva a Brotolândia". Lançou mais três discos ainda no Rio Grande do Sul - Poema de Amor, Elis Regina e o Bem do Amor e em 1964 partiu para o estrelato efetivo no Rio. Walter Silva, o Pica-Pau, produtor de discos e apresentador de rádio foi quem efetivamente lançou a cantora e, também, vaticinou que na voz e no talento de Elis estava surgindo a maior cantora do Brasil em todos os tempos. Acertou na mosca. 

Em 1964 com a agenda lotada de compromissos no eixo Rio-São Paulo foi contratada pela TV Rio para o programa "Noites de Gala" e foi adotada por Do Um Romão, soberbo percussionista que junto com seu trio a apresentou ao Beco das Garrafas, aparece a dupla Menescal e Boscoli a encaminha definitivamente ao sucesso não sem antes passar pelos cuidados do sensacional coreógrafo americano, radicado e apaixonado pelo Brasil Lenny Dale que ensinou o gestual que a acompanhou por toda a vida. Em 1967 casou-se com Ronaldo Boscoli.

O espetáculo "Fino da Bossa" promovido em 1964 pelo Centro Acadâmico da Faculdade de Odontologia da USP no Teatro Paramount em São Paulo teve a sua participação e a TV Record na senda dos festivais produzidos por Solano Ribeiro aproveitou a deixa e colocou nas mãos de Walter Silva a produção de um programa com Elis e ao lado de Jair Rodrigues "O Fino da Bossa" ficou no ar por três anos e originou três LPs, um deles Dois na Bossa foi o primeiro álbum nacional a vender mais de um milhão de cópias guindando Elis ao maior cachê da MPB até então. Nasceu o mito.

Os anos 70 foram de aprimoramento da técnica e domínio vocal e de registros musicais de altíssima qualidade. Particpipou da mostra Phono 73, patrocinada pela Phillips e num inacreditável desinteresse da platéia em sua apresentação viu-se Caetano Velloso com toda a sua indignação baiana convidar o povo presente a reverenciar a maior cantora desta Terra. Em julho desse ano lançou o disco "Elis".

O sucesso agora retumbante atingiu seu auge com o espetáculo "Falso Brilhante". Foram mais de trezentas apresentações que gerou um disco homônimo de espetacular sucesso. "Tranversal do Tempo foi o espetáculo seguinte em 1978 num clima extremamente tenso e político. "Essa mulher" em seguida, Saudade do Brasil em 1980 e Trem Azul em 1981 mostram uma Elis cada vez melhor e engajada politicamente e só mesmo sua grande popularidade a mantiveram fora da cadeia no país dos "gorilas" que era como alcunhava os opressores.

O "Bêbado e o Equilibrista" de Aldir Blanc e João Bosco na sua interpretação magistral tornou-se um quase hino da anistia e foi sua parcela de contribuição à repatriação de exilados. Nos versos da música a homenagem à Betinho, sociólogo e ativista, "o irmão do Henfi", que na necessidade da retomada da democracia retorna para o Brasil e para a luta.

Samba, samba-canção, bossa nova e jazz passeavam pelo universo de Elis. "Tiro ao Álvaro", "Iracema", "Saudosa Maloca", "Arrastão", "Cantador", enfim ritmos e múscias de grande apelo e qualidade se potencializam nas performances de Elis que emocionavam sempre. Edith Piafh, Ângela Maria, Nancy Wilson, Billy Holliday e Ertha Kitty entre outros expoentes da música influenciaram e ajudaram a compor seu estilo sólido, de qualidde ímpar e único.

Mãe de João Marcelo, produtor musical, de seu casamento com Boscoli e de Pedro e Maria Rita (cantores extremanete afinados e de alta qualidade) de seu casamento com Cesar Camargo Mariano, em janeiro de 1982 a "Pimentinha", como era conhecida, nos deixou aos 36 anos, causando grande comoção. A mistura fatal de álcoól e cocaína levou embora, muito cedo, a voz da maior cantora brasileira de todos os tempos. Eternizou-se o mito.

DISCOGRAFIA

Pela sua discogradia percebe-se a força do nome Elis. Viva a Brotolândia (1961); Poema de Amor (1962); Elis Regina (1963); O Bem do Amor (1963); Dois na Bossa (1965): O Fino do Fino (1965); Samba eu canto assim (1965); Dois na Bossa II (1966); Elis (1966); Dois na Bossa III (1967); Elis - Como e Porque (1969): Em pleno Verão (1970); Elis no Teatro da Praia (1970); Ela (1971); Elis (1973); Elis & Tom (1974); Elis (1974); Falso Brilhante (1975); Elis (1977); Transversal do Tempo (1978); Essa Mulher (1979); Saudade do Brasil (1980); e Elis (1981). Póstumos: Montreux Jazz Festival (1982); Trem Azul (1982); Luz das Estrelas (1984); Elis ao Vico (1995) e Elis Vive (1998). 

 

Elis e o Bêbado e o Equilibrista de 1979.

09/03/2016

Juvenal de Holanda Vasconcellos

NANÁ VASCONCELLOS

Hoje vamos falar de Naná Vasconcelos, Juvenal de Holanda Vasconcelos, 02 de agosto de 1944 Recife viu nascer um ser que viria a ser um dos maiores músicos de todos os tempos, eleito pela Down Beat como o melhor percussionista por 8 vezes, assim como vitorioso em 8 premiações com o Grammy Award.  Auto didata, infernizava a mãe quando criança ao batucar em panelas e teve no pai um mentor que colocou em suas mãos bongô e maraca para inicia-lo na arte. Aos doze já participava de tudo que era  grupo de maracatu e já se aventurava em bandas marciais, evoluindo para a bateria e para o tradicionalíssimo berimbau, a sua paixão. Veio parao Rio em 1967 e Milton Nascimento, Geraldo Vandré e Geraldo Azevedo passaram pelo seu caminho, eram os tempós dos festivais. Daí para a frente o mundo ficou pequeno para Naná e B B King,  Jean Luc Ponty, David Byrne, Egberto Gismonti, Pat Methény, Jan Garbarek entre outros balançaram ao som de sua multifacetada verve musical e tiveram sua composições e interpretações enriquecidas com seu som único e absolutamente particular. Juntamente com Don Cherry e Collin Walcott manteve por muito tem o grupo de jazz Codona, foram 3 LPs durante os anos 80 e foi tal a sua influeência na música que passou a participar de projetos de caráter beneficientes e comemorativos como Red Hot Organization de combate à AIDS com o qual contribuiu com uma de suas composições "Luz de Candieiro", assim como sua participação no Woodstock Jazz Festival e nos últimos 15 anos abriu oficialmente os festejos de Carnaval de sua adorada Receife. Em 2013 fez a trilha sonora do filme de animação "O menino e o mundo" indicado ao Oscar de Melhor filme de animação em 2016. Em 2015 ao reconhecer seu valor a Universidade Federal de Pernambuco o fez "Doutor Honoris Causa" ainda que nunca tenha cursado qualquer curso superior. Nos deixou hoje (09 de março) porque é claro que Deus que tudo vê e tudo ouve o queria perto, afinal o céu tem direito ao seu quinhão com o maior berimbalhador de todos os tempos.  

DISCOGRAFIA

Muito extensa - 1. Africadeus (1973); 2. Amazonas (1973); 3. Kundalini (1978); 4. Saudades (1979); 5. Zumbi (1983); 6. Nanotronics (1985); 7. Bush Dance (1986); 8. Legend Of The Seven Dreams (1988); 9. Asian Journal (1988); 10. Rain Dance (1989); 11. Lester (1990); 12. Mejnoun (1992); 13. If You Look Far Enough (1993); 14. Contando Estórias (1994); 15. Storyteling (1995); 16. Contando Estórias (1995); 17. Inciassificable (1995); 18. Fragments Modern Tradition (1997); 19. Contaminação (1999); 20. Saravah Compilation (1999); 21. Fragmentos (2001); 22. Minha Lõa (2002); 23. Vasconcellos e Assumpção (2004) 24. Chegada (2005); 25. Trilhas (2006); 26. Sinfonia e Batuques (2011).

PARTICIPAÇÕES EM TRABALHOS, DISCOS E CDs

Gato Barbieri (2), Walter Bishop, Codona (3), Don Cherry (2), Pierre Favre, Jan Garbartek (3), Egberto Gismonti (3) Danny Gottlieb, Pat Metheny (3), Jim Pepper, Woody Shaw, Gary Thomas, Talking Heads, John Hassel (4), Ginger Baker (2) Paul Simom. B B King, Maurício Maestro, Arto Lindsay (2), Milton Nascmento (7), Mutantes, Herb Alpert, Ron Carter, Chaka Khan, Collin Walcott, Sérgio Mendes, Jakc De Johnette, Ambicious Lovers (2), Laurie Anderson, Caetano Veloso (2), Debbie Harry, Carly Simon, Ryiuchi Sakamoto, Trilok Gurtu, Viena Boys' Choir, David Sanborn, John Zorn e Penguin Cafe Orchestra. 

Naná Vasconcelos - Africadeus - Roma ao vivo em 1983