28/11/2016

Noel de Medeiros Rosa

NOEL ROSA

Nasceu no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, tornando-se anos mais tarde conhecido como o "Poeta da Vila". Morou durante seus vinte e seis anos e meio de vida na mesma casa na rua Teodoro da Silva, que tempos depois seria demolida para a construção de um prédio residencial que leva seu nome. Filho de Manuel Medeiros Rosa, que era gerente de camisaria, e da professora Marta de Azevedo, teve em seu nascimento fratura e afundamento do maxilar provocados pelo fórceps, além de uma pequena paralisia na face direita, que o deixou desfigurado para o resto da vida, apesar das cirurgias sofridas aos seis e doze anos de idade. Quando seu pai foi trabalhar como agrimensor numa fazenda de café, sua mãe abriu uma escola dentro de casa, passando a sustentar os dois filhos, Noel e Hélio, o mais novo, nascido em 1914. 

Já alfabetizado pela mãe, foi matriculado no Colégio Maisonnete quando tinha treze anos, depois foi para o São Bento, onde ficou até 1928, recebendo dos colegas o apelido de Queixinho. Teve paixões por mulheres que se tornaram musas de alguns de seus sambas, como no caso de Ceci, dançarina de um cabaré da Lapa. Para ela, compôs "Dama do Cabaré" e "Último desejo". 

Casou-se com Lindaura, em dezembro de 1934. Na verdade, o casamento ocorreu por pressão da mãe da moça, pois Lindaura tinha apenas 13 anos, dez a menos do que ele. Grávida, ela perderia o filho meses após o casamento. A união com Lindaura não modificou seus hábitos boêmios, que acabariam por comprometer irremediavelmente a sua saúde. No início de 1935, já com os dois pulmões lesionados, viajou com a mulher para se tratar em Belo Horizonte, onde se hospedou na casa de uma tia. Porém, o tratamento durou poucos dias, pois o compositor logo começou a freqüentar os bares e o meio artístico da cidade, apresentando-se até na Rádio Mineira. Ainda em Minas, em maio desse mesmo ano, recebeu a notícia do suicídio do pai, que se enforcou na casa de saúde onde estava internado para tratamento dos nervos. Apresentando algumas melhoras, em setembro retornou ao Rio de Janeiro. Contudo, em fevereiro de 1936, viajou para Nova Friburgo(RJ) por ordens médicas. Mesmo assim se apresentou no cinema local e freqüentava os bares da cidade. Retornou ao Rio bastante adoentado. Por sugestão de amigos e familiares, foi para Barra do Piraí, em abril do mesmo ano, em busca de repouso para tentar curar a tuberculose. Após uma semana, visitou, no dia 1 de maio, a represa de Ribeirão das Lajes e começou a sentir arrepios e a passar mal. Retornou à pensão com febre. Durante a noite sofreu uma grave crise de hemoptise e o médico que o atendeu advertiu que não havia recursos para tratar dele naquela cidade. Na manhã de 2 de maio, voltou ao Rio com Lindaura, às pressas, num táxi, em estado muito grave, do qual não conseguiria se recuperar. Durante dois dias recebeu visitas de muitos amigos, entre os quais Marília Baptista e Orestes Barbosa, que procuraram animá-lo. 

Morreu na noite do dia 04 de maio, enquanto em frente à sua casa comemoravam o aniversário de uma vizinha numa festa em que tocavam suas músicas. Diversas versões sobre sua morte foram publicadas em diferentes jornais e biografias, onde se fez referência até a um ataque cardíaco. Ao seu enterro compareceram muitas personalidades da música e do rádio. À beira de seu túmulo, Ary Barroso fez um discurso emocionado, homenageando o amigo e parceiro. Depois de alguns anos de sua morte, seu nome ficou esquecido durante a década de 1940, até que Aracy de Almeida, em 1950, passou a cantar na famosa boate Vogue, incorporando sambas inéditos dele ao seu repertório. Desde aí, o compositor foi redescoberto e passou a ser homenageado pelo público e por autoridades, como no caso do busto inaugurado na Praça Tobias Barreto e que hoje se encontra na Praça Barão de Drumond, Vila Isabel, e pela comunidade de Vila Isabel, que inaugurou um monumento no Cemitério São Francisco Xavier, onde o compositor foi sepultado, em comemoração ao cinqüentenário do nascimento do sambista. 

Em 1967, o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro - que acabara de lançar o elepê "Noel Rosa por Noel Rosa", com o compositor cantando suas próprias músicas - fez também uma grande homenagem ao Poeta da Vila em seus 30 anos de morte, inaugurando exposição comemorativa e juntando os amigos remanescentes em gravação histórica conduzida por R. C. Albin em 4 de maio daquele ano. Em 1987, várias solenidades e eventos lembraram o cinqüentenário de seu falecimento.

No link abaixo vocês podem navegar pela playlist que o Sidão na Parada preparou para comemorar o Centenário do Samba(26/11/2016) e o Dia Nacional do Samba (02/12/2016).

 https://www.youtube.com/playlist?list=PL8Tpc844RxPBT3SvylMKxd23LmP-qC4L_

 

DISCOGRAFIA

Coletâneas - (1994) Noel Rosa e Aracy de Almeida • Continental • CD(; 1987) Uma rosa para Noel - 50 anos depois • Continental • LP; (1971) Nelson interpreta Noel • RCA Camden • LP (1967); Noel Rosa • RCA Camden • LP(1965) e  Noel Rosa • LP

Singles -  1936) De babado/Cem mil réis • Odeon • 78; (1936) Provei/Você vai se quiser • Odeon • 78; (1936) Quem ri melhor/Quantos beijos • Victor • 78; (1935) João Ninguém/Conversa de Botequim • Odeon • 78; (1934) Sentinela alerta • Odeon • 78; (1933) Escola de malandro • Odeon • 78; (1933) Onde está a honestidade?/Arranjei um fraseado • Odeon • 78; (1933) Positivismo/Devo esquecer • Columbia • 78; (1933) Seu Jacinto/Quem não dança • Odeon • 78; (1932) Quem dá mais?/Coração • Odeon • 78; (1932) Mentiras de Mulher(Com Artur Costa)/Felicidade • Columbia • 78; (1932) Coisas nossas/Mulher indigesta • Columbia • 78 ; (1931) Cordiais saudações/Mulata fuzarqueira • Parlophon • 78; (1931) Samba da boa vontade/Picilone • Parlophon • 78; (1931) O pulo da hora/Vou te ripar • Parlophon • 78; (1931) Por causa da hora/Nunca...jamais... • Victor • 78; (1931) Gago Apaixonado • Columbia • 78 ; (1930) Festa no céu/Minha viola • Parlophon • 78 e (1930) Com que roupa?/Malandro medroso • Parlophon • 78

Extraído do Dicionário Cravo Albin de MPB

 

28/11/2016

Noel Rosa - Conversa de botequim

Jessé Gomes da Silva Filho

ZECA PAGODINHO

Filho de Irinéia e Jessé nasceu em 04 de fevereiro de 1959 no cidade Rio de Janeiro, no subúribio, em Irajá e foi criado em Del Castilho e levou o nome do pai que o se fazia, sempre com o moleque, presente todas as rodas de samba possíveis,  o que contribuiu decisivamente para o seu destino do artista que integrou, na adolescência, o bloco carnavalesco Bohemio do Irajá.

Recebeu o apelido de "Pagodinho" quando freqüentava os pagodes na casa de Tia Doca, em Madureira. Freqüentou a roda de samba do Bloco Cacique de Ramos, onde começou a ser admirado pelos seus versos e por sua capacidade de improvisar. Por essa época, conheceu Arlindo Cruz, futuro parceiro em grandes sucessos.

Sua primeira gravação, Camarão que dorme a onda leva  foi em 1983 em parceria com Arlindo Cruz e patrocinada pela sua madrinha a genial cantora Beth Carvaalho. Em 2003, no auge de sua carreira, foi o primeiro artista de samba a gravar um especial de TV, CD e DVD pela MTV Brasil, tradicional reduto do por rock.

O Acústico MTV, gravado no Rio, foi um de seus discos mais vendidos, rendendo inclusive uma segunda edição em 2006, a primeira da história da MTV Brasil. O segundo acústico, batizado de Acústico MTV Zeca Pagodinho 2 - Gafieira, homenageou o samba de gafieira. Em 2007, o cantor criou o selo ZecaPagodiscos, em parceria com o produtor musical Max Pierre,  ex-diretor artístico da Universal Music no Brasil. O primeiro trabalho da parceria, lançado em conjunto com o selo Música Fabril, novo selo de Max, com distribuição da gravadora EMI, foi o CD e DVD Cidade do Samba,  gravado na Cidade do Samba, reunindo vários artistas brasileiros de vários estilos musicais, como Martinho da Vila, Jair Rodrigues, Cláudia Leitte, Ivete Sangalo, Nando Reis, Erasmo Carlos e Gilbero Gil entre outros. Atualmente, Zeca reside na Barra da Tijuca com Mônica Silva, sua mulher eseus quatro filhos Eduardo, Louis, Elisa e Maria Eduarda.

Aldir Blanc e Moacyr Luz compuseram "Anjo da Velha-Guarda" em sua homenagem e apesar da pouca idade faz parte da Velha-Guarda da Portela.

Em 2016, foi um dos convidados especiais na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

DISCOGRAFIA

Camarão que Dorme a Onde Leva (1983); Zeca Pagodinho (1986); Patota de Cosme (1987); Jeito Moleque (1987); Boêmio Feliz (1989); Mania de Gente (1990);  Pixote (1991); Um dos Poetas do Samba (1992); Alô, Mundo! (1993); Samba pras Moças (1995);    Deixa Clarear (1996);
 Hoje é Dia de Festa (1997); Zeca Pagodinho (1998); Ao Vivo (1999); Água da Minha Sede (2002); Deixa a Vida Me Levar ()2002); Acústico MTV - Zeca Pagodinho (2003); À Vera (2005); Acustico MTV - Zeca Pagodinho II (2007); Raridades (2007); Uma Prova de Amor (2008);Vida da Minha Vida (2010); Ao Vivo Com Amigps (2011); O Quintal do Pagodinho (2012); e Vida que Segue (2013).

28/10/2016

Zeca Pagodinho - Acústico MTV

José Bezerra da Silva

JOSÉ BEZERRA DA SILVA

Nasceu na cidade de Recife em 23 de fevereiro de 1927, no Estado de Pernambuco.
Aos nove anos tocava zabumba e cantava coco.
Aos 15 anos, foi para o Rio de Janeiro como clandestino em um navio, indo morar no Morro do Cantagalo. Por essa época, começou a trabalhar na construção civil como ajudante de pedreiro e pintor.
Como instrumentista, tocava pistão e vários instrumentos de percussão.
Em 1983 casou-se com Regina de Oliveira, conhecida como compositora e produtora pelo pesedônimo de Regina do Bezerra.
O filho Thalamy Bezerra da Silva também seguiu a carreira de músico.
Em 2001 filiou-se à uma Igreja Evangélica.
Em 28 de outubro de 2004, aos 77 anos, foi internado no CTI da Casa de Saúde Pinheiro Machado, em Laranjeira, Zona Sul do Rio de Janeiro com pneumonia e efisema pulmonar, sendo induzido ao coma, como parte do tratamento. Posteriormente foi transferido para o Hospital dos Servidores do Estado, onde faleceu no dia 17 de janeiro de 2005 em decorrência de uma parada cardíaca. Foi sepultado no Memorial do Carmo, no Cemitério do Caju, onde aconteceu um encontro de vários sambistas e admiradores cantados alguns de seus maiores sucessos e ainda, um culto religioso de evangélicos da Igreja Universal do Reino de Deus, a que pertencia desde 2001.
Sobre a vida e obra do cantor a escritora e antropóloga Letícia C. R Vianna escreveu o livro "Bezerra da Silva - Produto do morro, trajetória e obra de um sambista que não é santo" e declarou ao Jornal do Brasil, por ocasião do falecimento do cantor: "Em minha pesquisa pude ver que ele fez uma verdadeira sociologia dos morros e mostrou sobretudo que as comunidades não são passivas. Seu repertório prova que os excluídos sabem muito bem quais são são os problemas sociais e não são massa de manobra.".
Em 2012 foi lançado o documentário “Onde a coruja dorme”, de Márcia Deraik e Simplício Neto, que trouxe à cena os compositores de suas músicas, trabalhadores anônimos, que abordavam em suas letras grandes temas da realidade brasileira como o malandro, o otário, o alcaguete, a maconha.

Morreu no Rio de Janeiro em 17 de janeiro de 2005 aos 77 anos.

DISCOGRAFIA

  • (2005) O samba malandro de Bezerra da Silva • Sony/BMG • CD
  • (2004) Pega eu • Som Livre • CD
  • (2004) Caminho de luz • Independente • CD
  • (2003) Meu bom juiz • CID • CD
  • (2002) A gíria é a cultura do povo • CD
  • (2000) Bezerra da Silva ao vivo • CID • CD
  • (2000) Malandro é malandro e mané é mané • Gravadora Atração Fonográfica • CD
  • (1999) Eu tô de pé • MCA • CD
  • (1997) Presidente caô caô • BMG Ariola • CD
  • (1997) Bezerra da Silva comprovando a sua versatilidade • Rhythm and Blues • CD
  • (1996) Meu samba é duro na queda • RGE • CD
  • (1995) Bezerra da Silva contra o verdadeiro canalha • RGE • CD
  • (1995) Moreira da Silva, Bezerra da Silva e Dicró-os três malandros in concert • Sony Music • CD
  • (1992) Presidente caô, caô • CID • CD
  • (1990) Eu não sou santo • RCA Victor • LP
  • (1988) Violência gera violência • RCA Victor • LP
  • (1986) Alô malandragem, maloca o flagrante • RCA Victor • LP
  • (1985) Malandro rifle • RCA Victor • LP
  • (1983) Produto do morro • RCA Victor • LP
  • (1980) Partido-alto nota 10 Volume 3 • LP
  • (1978) Partido-alto nota 10 volume 2 • CID • LP
  • (1977) Partido-alto nota 10 volume 1 • CID • LP
  • (1976) Bezerra da Silva, o rei do coco volume 2 • Tapecar • LP
  • (1975) Bezerra da Silva, o rei do coco volume 1 • Tapecar • LP
  • (1969) Mana, cadê o boi?/Viola testemunha • Copacabana Discos • Compacto simples

(Extraído do Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira).

 

 

 

 

29/09/2016

BEZERRA DA SILVA e DICRÓ - Verdadeiro Canalha é outra composição muito atual e muito própria para o período de eleições que vivemos. Foi composta no final do anos 1980.

MARTINHO DA VILA

Nasceu num sábado de carnaval. Os pais, Josué Ferreira e Teresa de Jesus Ferreira, trabalharam como meeiros em diferentes fazendas e cidades no Estado do Rio de Janeiro. Com quatro anos, mudou-se com a família para o subúrbio do Rio de Janeiro e sonhava em ser jogador de futebol. Cursou o primário na Escola Rio Grande do Sul, no Engenho de Dentro. Foi criado em Lins de Vasconcelos, na Serra dos Pretos Forros, perto da Escola de Samba Aprendizes da Boca do Mato. Segundo o próprio Martinho, antes da fundação da Aprendizes da Boca do Mato, havia um bloco carnavalesco, "Bloco do Abelardo", fundado por um funcionário da Light de apelido Abelardo Fumo, que virou "Bloco da Burrinha", e, mais tarde, Bloco Acadêmicos da Boca do Mato, do qual presenciou a sua fundação aos 13 anos de idade. A partir deste bloco, foi fundada, por Seu Aristides, a Escola Aprendizes da Boca do Mato, da qual participou da Ala dos Grã-Finos, chegando à presidência desta. Mais tarde, ao 16 anos, incentivado pelo também compositor Tolito da Mangueira, passou a compor para a escola e ingressou na Ala dos Compositores, chegando à presidência desta ala e ainda Diretor de Harmonia. As cores da escola e o nome "Aprendizes da Boca do Mato" foram inspirados na escola "Aprendizes de Lucas". Na Aprendizes da Boca do Mato, sua primeira escola, participava na bateria tocando "frigideira". Mais tarde, com a proibição da "frigideira" nos desfiles, passou a tocar tarol e outros instrumentos típicos da bateria. Desfilou na Aprendizes até 1965.

Teve como primeira profissão Laboratorista Industrial (preparador de óleos e graxas), com curso pelo SENAI.

Em 20 de junho de 1956, ingressou no exército, onde foi sargento-escrevente, datilógrafo e contador no Ministério da Guerra. Serviu ainda no Laboratório Químico e Farmacêutico e na Diretoria Geral de Engenharia e Comunicação. Deu baixa em 1969, atuando por 13 anos e dedicou-se exclusivamente à carreira de cantor e compositor.

Da união com a também cantora Anália Mendonça teve três filhos, sendo um deles, a cantora e compositora Mart'nália. No final da década de 1960, conheceu Lícia Maria Caniné (a Ruça), sua segunda mulher, com quem teve três filhos. Com a porta-bandeira Rita Freitas teve uma filha. No início dos anos 90, casou-se com Clediomar Corrêa Liscano Ferreira, a Cléo, com quem tem dois filhos.

Seu pai era conhecido como "Josué das Letras" ou ainda "Professor". Dele sofreu influência e tomou gosto pelas letras. Por conta dessa aproximação com a escrita, lançou em 1986 o livro "Vamos brincar de política?", pela Editora Globo, com ilustrações da amiga Jacyra Silva, dedicado ao público infanto-juvenil.

Em 1992 publicou "Kizombas, andanças e festanças", no qual contou experiências profissionais e pessoais. O livro foi lançado pela Editora Léo Cristiano Editorial.

Em 1998 a editora Records relançou "Kizombas, andanças e festanças". No ano seguinte, pela ZFM Editora publicou "Joana e Joanes - Um romance fluminense", também publicado em Portugal pela Editora Eurobrape neste mesmo ano.

Em 2000, estreando na ficção, lançou o livro "Joana e Joanes - um romance fluminense", pela editora ZFM. No ano seguinte publicou "Ópera Negra", seu quarto livro, pela Editora Global.

Em 2002 lançou pela editora portuguesa Eurobrape o livro de ficção "Memórias Póstumas de Tereza de Jesus". No ano seguinte o livro foi publicado também no Brasil pela Editora Ciência Moderna. Em 2003 foi o principal articulador da construção da nova sede da Escola de Samba Vila Isabel, com projeto de Oscar Niemeyer.

No ano de 2006 lançou "Os Lusófonos" pela Editora Ciência Moderna. No ano seguinte lançou o livro infantil "Vermelho 17" pela ZFM Editora.

Em 2008 publicou pela Lazuli Editora o livro "A Rosa Vermelha e o Cravo Branco".

Em 2009 lançou o livro de ficção "A Serra do Rola Moça" (ZFM Editora) - nome de uma localidade em Minas Gerais e também, nome de um poema de Mário de Andrade musicado pelo compositor. Ainda em 2009 foi exibido, no "Festival 19º Cine Ceará", o documentário "O Pequeno Burguês- Filosofia de Vida", dirigido por Edu Mansur. Neste mesmo ano, pela Lazuli Editora, lançou "A Rainha da Bateria".

A Irmãos Vitale Editores lançou "O Melhor de Martinho da Vila", compilação de partituras com algumas de suas composições mais conhecidas e com comentários do crítico e jornalista Roberto Moura. 

No município de Duas Barras criou o Instituto Cultural Martinho da Vila, que atende à crianças do município e adjacências com aulas de música e outras atividades de formação profissional.

Em 2010 candidatou-se a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, não sendo eleito. No ano posterior, em 2011 a cidade de Duas Barras lhe prestou homenagem com uma estátua em tamanho natural. Neste mesmo ano proferiu palestra sobre Noel Rosa na Academia Carioca de Letras. Neste mesmo ano foi lançado, na Livraria do Museu da República, no Rio de Janeiro, o livro "Martinho da Vila - Tradição e Renovação", dos escritores João Batista de M. Vargens e André Conforte, com prefácio de Sérgio Cabral, pela Editora Almádena.

No ano de 2014 foi eleito para a Academia Carioca de Letras na vaga de Fernando Segismundo, ex-presidente da ABI. Na votação, obteve 28 votos dos 38 acadêmicos integrantes. Em dezembro deste mesmo ano foi ano foi empossado na Cadeira nº 6, que tem como patrono Evaristo da Veiga, em solenidade presidida por Ricardo Cravo Albin na Sala Pedro Calmon, do Instuto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), no bairro da Glória, no Rio de Janeiro.

(Extraído do Dicionário Cravo Albin de MPB)

DISCOGRAFIA

Enredo (2014); SambaBook (2013); Nem todo criolo é doido (2013) 4.5 atual (2012); Lambendo a cria (2011); Poeta da cidade (2010); O pequeno burguês (2008); Martinho da Vila, do Brasil e do mundo (2007); Cidade do samba (2007); Martinho José Ferreira (2006); Brasilatinidade (2005); Conexões ao vivo (2004); Martinho da Vila conexões (2003); Martinho definitivo (2002); Clássicos do samba (2002); Jorge Aragão ao vivo convida (2002); Voz e coração (2002); Martinho da Vila, da roça e da cidade (2001); Lusofonia (2000); 3.0 turbinado ao vivo (1999); O pai da alegria (1999); Vinte anos de samba (1997); Coisas de Deus (1997); Tá delícia, tá gostoso (1995); Ao Rio de Janeiro (1994); Escola de samba enredo Vila Isabel (1993); No templo da criação (1992); Martinho da Vila (1992); Vai meu samba, vai (1991); Martinho da Vida (1990); O canto das lavadeiras (1989; Artista da raça (1988); Coração malandro (1987); Batuqueiro (1986); Criações e recriações (1985); Martinho da Vila Isabel (1984); Partido alto nota 10 (1984); Novas palavras (1983); Verso e reverso (1982); Sentimentos (1981); Portuñol Latinoamericano (1980); Samba enredo (1980); Terreiro, sala e salão (1979); Tendinha (1978);  Martinho da Vila (1978);Sempre Presente (1977); Rosa do povo (1976); La Voglia La Pazzia (1976); Maravilha de cenário (1975); Canta canta, minha gente (1974); Martinho da Vila (1974); A voz do samba (1973); Origens (1972); Batuque na cozinha (1972); Memórias de um sargento de milícias (1971); Meu Laiá-raiá (1970); O samba está de volta (1969) e Martinho da Vila (1969)

03/09/2016

Martinho da Vila - Madalena, Madalena

Paulo César Batista de Faria

PAULINHO DA VIOLA

"Filho de Benedito César Ramos de Faria, violonista do conjunto Época de Ouro, nasceu no Rio de Janeiro em 12 de novembro de 1942, no bairro do Botafogo.

Desde criança conviveu com músicos como Pixinguinha e Jacob do Bandolim, que freqüentavam sua casa. Embora seu pai quisesse que o filho seguisse outra carreira que não a de músico, começou a estudar violão sozinho, aperfeiçoando-se, mais tarde, com o amigo Zé Maria. Em Jacarepaguá, onde costumava passar os fins de semana na casa de uma tia, ajudou a organizar o Bloco Carnavalesco Foliões de Anália Franco, para a qual compôs seu primeiro samba. Logo depois, com alguns amigos deste bloco, formou um conjunto no qual tocava violão. Compôs seu segundo samba em 1962, "Pode ser ilusão", quando integrava a Ala dos Compositores da Escola de Samba União de Jacarepaguá.

Logo que entrou na Portela, em 1963, compôs "Recado", com Casquinha. Neste mesmo ano, Hermínio Bello de Carvalho, que o conhecera nas rodas de choro e era um dos incentivadores de sua carreira, o apresentou a Cartola. A partir de então, foi convidado para se apresentar no Zicartola (restaurante de Dona Zica e Cartola na Rua da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro), tocando violão e cavaquinho, onde fez show com Zé Keti, recebendo seu primeiro cachê. Zé Kéti e Sérgio Cabral deram-lhe o nome de Paulinho da Viola.

A partir de 1964 passou a dedicar-se exclusivamente à carreira musical. No ano seguinte, participou do conjunto A Voz do Morro (c/ Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Zé Kéti, Anescarzinho do Salgueiro e Nelson Sargento), gravando os LPs "Roda de samba" e "Roda de samba 2", nos quais foram incluídas suas composições "Coração vulgar", "Conversa de malandro" e "Jurar com lágrimas" (vol. I), e "Recado" e "Responsabilidade" (vol. II). Neste mesmo ano de 1965, ao lado de Nelson Sargento, Elton Medeiros, Anescarzinho do Salgueiro, Clementina de Jesus e Jair do Cavaquinho, entre outros, participou do musical "Rosa de Ouro", de autoria de Kléber Santos e Hermínio Bello de Carvalho, gravado em LP. Ainda em 1965 Elizete Cardoso, no LP "Elizete sobe o morro", interpretou suas músicas "Rosa de ouro" (c/ Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho) e "Minhas madrugadas", em parceria com Candeia.

Em 1966 a Portela foi campeã com um samba de sua autoria, "Memórias de um sargento de milícias", tendo como puxadora oficial a pastora Surica. No ano seguinte, participando do grupo A Voz do Morro, gravou o LP "Os sambistas" e no LP "A enluarada Elizete", a cantora gravou "Depois de tanto amor"..

No ano de 1968 lançou em parceria com Elton Medeiros o disco "Samba na madrugada", no qual despontou com o sucesso "Catorze anos", de sua autoria, além de "Minhas madrugadas" (c/ Candeia), "Arvoredo", "Mascarada" (Zé  Keti e Elton Medeiros), "O sol nascerá" (Elton Medeiros e Cartola) e ainda "Depois de tanto amor". Nesse mesmo ano, gravou mais um disco solo pela Odeon, no qual incluiu "Vai amigo" (Cartola), "Não te dói a consciência" (Nelson Cavaquinho, Augusto Garcez e Ary Monteiro), "Batuqueiro" (Candeia), "Meu carnaval" (Elton Medeiros e Cacaso) e "Maria Sambamba", de autoria de Casquinha. Ainda neste disco, apareceram futuros sucessos da carreira do compositor: "Coisas do mundo, minha nega" e "Sem ela eu não vou". Ainda em  1968 participou da "1ª Bienal do Samba", da TV Record de São Paulo, quando apresentou a composição "Coisas do mundo minha nega", classificando-se em 5º lugar.

Em 1969, no LP "Elizete e Zimbo Trio balançam na Sucata", foi incluída "Sei lá, Mangueira", composta em parceria com Hermínio Bello de Carvalho. A composição tembém foi incluída no LP "A bossa eterna de Elizete e Ciro Volume 2 - de Elizete Cardoso e Ciro Monteiro", lançado pela gravadora Copacabana neste mesmo ano. Neste mesmo ano, foi o vencedor do "Festival da Record" com "Sinal fechado" e recebeu do Museu da Imagem e do Som, do Rio de Janeiro, o prêmio "Golfinho de Ouro", atribuído por sua obra composta no ano anterior. Ainda em 1969 Clara Nunes ganhou o primeiro lugar no "I Festival da Canção Jovem de Três Rios" com a música "Pra que obedecer", de Paulinho da Viola e Luís Sérgio Bilheri.

Em 1970 lançou um de seus maiores sucessos, a composição "Foi um rio que passou em minha vida", que deu título ao disco. No LP despontaram também outras faixas como "Tudo se transformou", regravada posteriormente por Caetano Veloso. Ainda nesse ano, fez a produção do primeiro disco da Velha-Guarda da Portela, "Portela, passado de glória", do qual participaram Monarco, Cláudio, Alcides Dias Lopes (Alcides Malandro Histórico), Antônio Caetano, Vicentina, Aniceto, Manacéa, Armando Santos, Francisco Santana, Iara e Alberto Lonato, além de César Faria. Elizete Cardoso regravou "Foi um rio que passou em minha vida" no LP "Falou e disse". A mesma cantora, no disco "Elizete no Bola Preta com a banda do Sodré", interpretou três composições de sua autoria: "Sei lá, Mangueira", "Foi um rio que passou em minha vida" e "Jurar com lágrimas". Neste mesmo ano de 1970 sua composição "Simplesmente Maria" fez parte da trilha sonora da novela homônima, interpretada por Elcio Alvarez e Grande Orquestra, sendo esta sua primeira composição incluída em novela. No ano seguinte, pela Odeon, lançou o disco "Paulinho da Viola", do qual constaram, entre outras: "Lapa em três tempos" (Ary do Cavaco e Rubens) e "Vinhos finos... Cristais", parceria com Capinam. Participou da "II Bienal do Samba", em São Paulo, com "Sol e pedra", feito em homenagem ao seu  ídolo, Nelson Cavaquinho. Neste mesmo ano de 1971 lançou outro LP no qual incluiu as músicas "Cuidado, teu orgulho te mata", de autoria de Mauro Duarte e  Walter Nunes, que mais tarde ficaria conhecido como Walter Alfaiate; "Moemá morenou" (c/ Elton Medeiros) e "Para um amor no Recife". Nesse mesmo ano, a RCA e a Abril Cultural lançaram a coleção "Música popular brasileira", sendo o compositor um dos escolhidos.

No LP "A dança da solidão", de 1972, interpretou algumas composições que fariam grande sucesso, "No pagode do Vavá" (homenagem ao amigo Norival Reis, conhecido como Vavá da Portela), "Coração imprudente" (c/ Capinan), "Acontece" (Cartola), "Passado de glória" (Monarco) e "Dança da solidão", regravada por Marisa Monte com sucesso. Nesse mesmo ano, Elizete Cardoso, no LP "Preciso aprender a ser só", incluiu "O pranto deste mundo" (c/ Hermínio Bello de Carvalho). No ano posterior, lançou o disco "Nervos de aço", com as canções "Sentimentos" (Mijinha), "Não quero mais amar a ninguém" (Cartola, Carlos Cachaça e Zé da Zilda) e "Sonho de um carnaval", de Chico Buarque.

No ano de 1974 teve participação de grande destaque na série "MPB 100 Anos", escrito e dirigido por Ricardo Cravo Albin para o "Projeto Minerva", da Rádio MEC. Na série, transformada em oito LPs, lançados pela gravadora Tapecar, o cantor e compositor participou com metade de um LP, assim como Cartola e Luiz Gonzaga.

No ano de 1975 em seu novo disco incluiu várias composições que seriam sucessos naquele mesmo ano: "Amor à natureza", "Argumento" e "Chuva", todas de sua autoria. Ainda neste LP, constaram "Jaqueira da Portela" (Zé Kéti), "Cavaco emprestado" (Padeirinho) e "E a vida continua", de autoria de Zorba Devagar e Madeira. Neste mesmo ano de 1975, ao lado de Elizete Cardoso, Benito di Paula, Gilberto Gil, Jorge Bem, Beth Carvalho, Sônia Santos, Cláudia e Quinteto Violado, integrou a delegação brasileira que participou do "Festival do MIDEM" (Mercado Internacional de Discos e Editoras Musicais), na cidade de Cannes, na França. No ano seguinte, no disco "Memórias cantando", regravou "Coisas do mundo, minha nega" e incluiu composições inéditas com o novo parceiro, o poeta e letrista Sergio Natureza. Também em 1976 a gravadora Odeon, em sua homenagem, editou uma coletânea de dez anos de carreira com alguns de seus sucessos.

No ano de 1977 foi lançado o disco "Elizete Cardoso, Jacob do Bandolim, Zimbo Trio e Época de Ouro - Fragmentos inéditos do histórico recital realizado no Teatro João Caetano em 19 de fevereiro de 1968". Neste LP foi incluída sua composição "Rosa de ouro".

Em 1978 lançou um novo disco com as composições "Sofrer" (c/ Capinam), "Pelos vinte" (c/ Sergio Natureza) e os sucessos "Coração leviano" e "Miudinho", esta última composição recolhida e adaptada do folclore popular por Monarco, Bucy Moreira e Raul Marques. Nesse mesmo ano, compôs o samba-enredo "Uma estória diferente" para o Grêmio Recreativo de Artes Negras e Escola de Samba Quilombo, de Coelho Neto, subúrbio do Rio de Janeiro. No ano posterior, a composição "Miudinho" intitulou uma coletânea lançada pela gravadora EMI/Odeon. Ainda em 1979, gravou o disco "Zumbido", cujo repertório incluiu "Chico Brito" (Wilson Batista e Afonso Teixeira), "Amor é de lei" (c/ Sergio Natureza), "Recomeçar" (c/ Elton Medeiros) e "Pode guardar as panelas", sucesso do compositor.

No ano de 1981 lançou seu primeiro LP pela nova gravadora, a WEA, que contou com as composições "Último lance" (c/ Sergio Natureza), "Viver de amor" (c/ Capinam), "Pra jogar no oceano" e "Onde a dor não tem razão"(c/ Elton Medeiros) e "Feito passarinho", parceria com o jovem poeta e letrista Salgado Maranhão. No ano seguinte, lançou o LP "A toda hora rola uma história", no qual incluiu "Rumo dos ventos", "Só o tempo", "Não é assim" e "Cadê a razão", todas de sua autoria, e ainda outras composições, "Pra fugir da saudade" (c/ Elton Medeiros), e "Brancas e pretas" (c/ Sergio Natureza).

Em 1988 lançou o disco "Prisma luminoso", no qual incluiu "Mas quem disse que eu te esqueço" (Dona Ivone Lara e Hermínio Bello de Carvalho), "Mais que a lei da gravidade" (c/ Capinam), "Documento" (Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro), "Não posso viver sem ela" (Bide e Cartola) e a faixa-título "Prisma luminoso", parceria com o poeta Capinam. Participou neste mesmo ano do disco "Cartola - bate outra vez", no qual interpretou "Amor proibido" (Cartola). Nesse mesmo ano de 1988 participou do disco "Há sempre um nome de mulher", disco duplo produzido por Ricardo Cravo Albin para a "Campanha do Aleitamento Materno", chegando a 600 mil cópias vendidas, apenas nas agências do Banco do Brasil. No ano seguinte, pela gravadora RCA, lançou o LP "Eu canto samba", no qual foram incluídas as composições "Eu canto samba", "Cantoria" (c/ Hermínio Bello de Carvalho) e "Um caso perdido", entre outras.

Em 1991 participou do disco "Nada além", de Mário Lago, no qual interpretou "Faz de conta" (Chocolate e Mário Lago).

No ano de 1994 o grupo Galo Preto o homenageou gravando um disco só com composições de sua autoria "Só Paulinho da Viola", lançado pela gravadora Leblon Records. Participou do disco "Homenagem a Mauro Duarte", pela gravadora Saci. No ano seguinte, em 1995, participou do disco "Clara Nunes com vida", homenagem à Clara Nunes, interpretando "Coração leviano" em dueto (inserido posteriormente) com a cantora.

No ano de 1996 gravou o CD "Bebadosamba", cujo repertório incluiu "Timoneiro" (c/ Hermínio Bello de Carvalho), "Alento" de autoria de Paulo César Pinheiro, "Ame" (c/ Elton Medeiros), "O ideal é competir" (Candeia e Casquinha), "Peregrino" (Noca da Portela), "Solução de vida" (c/ Ferreira Gullar) e "Mar grande", esta em parceria com Sergio Natureza. Neste mesmo ano, participou do disco "50 anos", de Aldir Blanc, no qual interpretou a faixa-título, de Cristóvão Bastos e Aldir Blanc. No ano posterior, em 1997, lançou o CD "Bebadachama" ao vivo. Neste mesmo ano, sua composição "Pecado capital" foi interpretada por Sérgio Santos no disco "Prato feito", CD da oficial da "Campanha Contra a Fome no Brasil", do sociólogo Betinho. 

No ano de 1999, juntamente com Toquinho, gravou o disco "Sinal aberto", CD no qual ambos interpretaram vários sucessos de suas carreiras. No ano seguinte, pela Coleção "A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes - Paulinho da Viola e os Quatro Crioulos", com produção de Pelão e Fernando Faro. Neste mesmo ano, com Monarco, Eliane Faria, João Nogueira, Cristina Buarque, Simone Moreno, Wilson Moreira, Noca da Portela e Dorina, participou do disco "Ala dos Compositores da Portela", produzido por Franco Cava, CD no qual este grupo interpretou "Hino da Velha Guarda", de Chico Santana.

Em 2001 o grupo Família Roitman gravou "Coração da gente", de sua autoria.

Entre seus muitos intérpretes estão Terezinha de Jesus, em "Coração imprudente" (c/ Capinam) e "Cidade submersa"; Chico Buarque ('Sinal fechado'), Clara Nunes, em "Coração leviano" e Elza Soares e Elizeth Cardoso, em "Sei lá, Mangueira", parceria com Hermínio Bello de Carvalho.

No ano de 2002 Eduardo Granja Coutinho, pela Editora Uerj, lançou o livro "Velhas histórias, memórias futuras - O sentido da tradição na obra de Paulinho da Viola", no qual fez uma releitura de sua obra. Em novembro deste mesmo ano, em comemoração aos seus 60 anos, o compositor recebeu várias homenagens: um especial na Rádio 90.3 (MPB FM), com entrevista e show na emissora; dois show no Teatro João Caetano (dias 8 e 9) com a participação de vários convidados. Foi lançado também o livro "Paulinho da Viola - sambista e chorão" de autoria de do jornalista João Máximo no Teatro Delfim. Neste mesmo ano, pela gravadora Deck Disc, Teresa Cristina lançou um álbum duplo sobre sua  obra, "A música de Paulinho da Viola". Neste disco, em dueto com a cantora, interpretou "Depois de tanto amor". Também participaram do álbum duplo em sua homenagem Conjunto Época de Ouro ('Samba do amor'); Velha-Guarda da Portela ('Perdoa' e 'Pode guardar as panelas') e Elton Medeiros em "Tudo se transformou". Ainda neste disco foram incluídas "Coisas banais" parceria de Paulinho da Viola e Candeia; "Mais que a lei da gravidade" e "Coração imprudente", ambas, parceria com o poeta Capinam; e ainda, "Moemá, morenou", "Choro negro", "Responsabilidade" e "Argumento", entre muitas outras. O disco contou com a produção musical e arranjo de Paulão Sete Cordas. Ainda em 2002, ao lado de Chico Buarque, Miúcha, Ana de Hollanda, Martinho da Vila, Cristina Buarque, Márcia, Inesita Barroso e Carlinhos Vergueiros, entre outros, participou da caixa de quatro discos "Acerto de contas de Paulo Vanzolini", lançada pela gravadora Biscoito Fino, na qual Interpretou "Bandeira de guerra".

No ano de 2003, Beth Carvalho, acompanhada do conjunto Quinteto em Branco e Preto, gravou o CD "Pagode de mesa 2 ao vivo", disco no qual incluiu a música "Coração leviano". Ainda em 2003, foi lançado no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, o filme "Meu tempo é hoje - Paulinho da Viola", documentário sobre sua vida e obra com direção de Izabel Jaguaribe e roteiro de Zuenir Ventura. Filmando em parte no sítio de Zeca Pagodinho, em Xerém, no Rio de Janeiro, o documentário contou com uma roda de samba reunindo personalidades como Hermínio Bello de Carvalho, Sérgio Cabral, Velha-Guarda da Portela, Walter Alfaiate, Marisa Monte, Marina Lima, Paulo César Pinheiro, Nelson Sargento, Jaguar, Lan e o anfitrião Zeca Pagodinho. O filme  teve outra pré-estreia no Cine Odeon, na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. Neste mesmo dia, a festa de lançamento foi comemorada no Teatro Rival Br, com show musical de Paulinho da Viola, Eliane Faria, Teresa Cristina, Velha-Guarda da Portela e Conjunto Época de Ouro.

Em 2004, no disco "Daqui, dali e de lá", o grupo Toque de prima gravou de sua autoria "Ciúme da Cidinha".

Neste mesmo ano a trilha sonora do documentário "Meu tempo é hoje" foi lançada em CD e contou com a participação de Nó em Pingo D'Água, Marisa Monte, Zeca Pagodinho, Amélia Rabello, César Faria, João Rabello Faria e Velha Guarda da Portela.

Em 2005 a cantora Juliana Diniz (filha de Mauro Diniz e neta de Monarco) gravou a inédita "Corações aos saltos". Neste mesmo ano Elton Medeiros regravou "Dívida" no CD "Bem que mereci", disco com a faixa-título também composta pela dupla Elton e Paulinho. Ainda em 2005, no disco "Um pouco de mim - Sergio Natureza e amigos", do parceiro, teve incluídas três composições da parceria de ambos: "Pelos vinte", interpretada por Marcos Sacramento; "Vela no breu", cantada por Luiz Melodia e ainda "Brancas e pretas", em dueto de voz e violão por Amélia Rabello e Raphael Rabello. Ao lado de Wilson Moreira, entre outros, prestou homenagem ao parceiro Candeia em show no Sesc Pompeia, em São Paulo. Neste mesmo ano, no disco "Amorágio", do parceiro-letrista Salgado Maranhão, teve incluída a composição "Feito passarinho", parceria de ambos, regravada pela cantora Amelia Rabello e ainda interpretou neste mesmo CD a composição "Recato", de Elton Medeiros e Salgado Maranhão. No ano posterior, em  2006, foi lançado, pela gravadora Trama, o DVD "Paulo César Baptista de Faria - Grandes Nomes", de um especial feito em 1980, com direção de Guto Graça Melo, na TV Globo. No repertório foram incluídas composições do próprio Paulinho da Viola, entre elas "Coisa do mundo minha nega" e  "Pecado capital"). Também foram incluídas participações especiais de Zezé Motta em "Senhora liberdade" (Wilson Moreira e Nei Lopes), do flautista Nicolino Cópia (Copinha) na faixa "Numa seresta" e ainda de Elton Medeiros, Nelson Sargento, Jair do Cavaquinho e Anescarzinho do Salgueiro, nas faixas  "Quatro crioulos", "Rosa de ouro" e no pot-pourri "O sol nascerá" (Elton Medeiros e Cartola), "Cântico à natureza" (Nélson Sargento, Alfredo Português e Jamelão), "Água do rio" (Anescarzinho do Salgueiro e Noel Rosa de Oliveira ) e "Pecadora" (Jair do Cavaquinho e Joãozinho da Pecadora). O DVD também contou com as participações de Canhoto da Paraíba em "Forró do Xenhénhém"; Radamés Gnattali em "Sarau para Radamés" (Paulinho da Viola) e na faixa "Coração imprudente" (Paulinho da viola e Capinan); Velha Guarda da Portela "Quantas lágrimas" (Manacéia), "Recado" (Paulinho da Vila e Casquinha da Portela) e em "Foi um rio que passou em minha vida" (Paulinho da Viola).

No ano de 2007 gravou nos estúdios da MTV, na Zona Oeste de São Paulo, o "Acústico MTV", CD e DVD com parte de sua obra revisitada em 24 composições, entre elas as quatro inéditas, destacando-se "Ainda mais" (c/ Eduardo Gudin) e "Talismã", em parceria com Marisa Monte e Arnaldo Antunes. Destacam-se também, no CD e DVD alguns de seus sucessos, tais cmo  "Pecado Capital", "Para um amor no Recife", "Bebadosamba", "Coração leviano", "Timoneiro" (c/ Hermínio Bello de Carvalho) e "Onde a dor não tem razão".

Em 2008 foi o grande premiado no "6º Prêmio Tim de Música", apresentado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e em homenagem à obra do cantor e compositor Dominguinhos. Inicialmente foi indicado para seis categorias, ganhando em três delas: "Melhor Cantor" e "Melhor Disco" (com o CD "Acústico MTV"), ambas na "Categoria Samba" e ainda "Melhor Canção" com a composição "Vai dizer ao vento", de sua autoria.

Lançado no ano de 2011 pelo Selo Discobertas, do pesquisador Marcelo Fróes,em convênio com o Selo ICCA (Instituto Cultural Cravo Albin), o box "100 Anos de Música popular Brasileira" é integrado por quatro CDs duplos, contendo oito LPs remasterizados. Inicialmente os discos foram lançados no ano de 1975, em coleção produzida pelo crítico musical e radialista Ricardo Cravo Albin a partir de seus programas radiofônicos "MPB 100 AO VIVO", com gravações ao vivo realizadas no auditório da Rádio MEC entre os anos de 1974 e 1975. Paulinho da Viola participou do CD volume 7, como convidado especial perfilando parte de sua obra e interpretando as faixas "Filosofia do samba" (Candeia), "Minhas madrugadas" (Paulinho da Viola e Candeia) e ainda participou do CD volume 8, no qual gravou as faixas "Cântico à natureza" (Jamelão, Nélson Sargento e Alfredo Português), "O sol nascerá" (Cartola e Elton Medeiros), "Mascarada" (Zé Kéti e Elton Medeiros), "Vida" (c/ Elton Medeiros), "Outra você não me faz" (Dona Ivone Lara), "Eu sabia" (Mauro Duarte), "Recado" (c/ Casquinha) e somente de sua autoria as faixas "Coisa do mundo, minha nega", "Dança da solidão", "No pagode do Vavá", "Guardei minha viola" e "Amor à natureza". Na mesma coleção também foram incluídas outras composições de sua autoria, interpretadas por Beth Carvalho (CD volume 8) "Foi um rio que passou em minha vida" e "Rosa de ouro", em parceria com Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho; Elza Soares (CD volume 8) interpretou "Sei lá Mangueira" (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho). Neste mesmo ano fez show na casa de espetáculo Vivo Rio, no Rio de Janeiro, no qual cantou algumas composições inéditas. 

No ano de 2012 o escritor Vagner Fernandes criou o bloco carnavalesco Timoneiros da Viola, em sua homenagem, o qual desfilou pela rua de Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro, com a presença do compositor. Durante o carnaval deste mesmo ano o compositor apresentou-se em temporada no Sesc Pinheiro, em São Paulo. Neste mesmo ano completou 70 anos de idade, recebendo várias homenagens por todo o país, entre as quais o show "70 Anos de Paulinho da Viola", de sua filha Eliane Faria, no Centro Cultural Carioca, no Rio de Janeiro, no qual a cantora recebeu como convidados especiais Tia Surica, Ellen de Lima e a dupla de Mestre Sala e Porta Bandeira da Portela (Diego e Lucinha Nobre). Fez show na casa de show Vivo Rio, no Rio de Janeiro e ainda no Carnegie Hall, em Nova York, onde os jornais publicaram matérias com o título "O maior sambista vivo do Brasil". Porém, a maior homenagem foi a que o artista fez ao seu público, quando se apresentou em show histórico no Parque de Madureira, no subúrbio carioca de Madureira. No espetáculo recebeu vários convidados, entre os quais a Velha-Guarda da Portela, sendo os arranjos de piano de Cristóvão Bastos e os sopros de Mário Séve. Ainda em 2012 a gravadora EMI-Music lançou uma caixa com 11 de seus discos remasterizados e gravados entre os anos de 1968 e 1979, como parte da homenagem da empresa ao artista.

No ano de 2014 apresentou o espetáculo "50 anos de carreira" no Vivo Rio, casa de shows da Zona Sul Carioca, logo após partindo em turnê nacional com trabalho.

DISCOGRAFIA

100 anos de Música Popular Brasileira - (2011); Paulinho da Viola - Acústico MTV (2007); Paulo César Baptista de Faria (2006); Amorágio (2005); Meu tempo é hoje (2004); A música de Paulinho da Viola (2002); A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes - Paulinho da Viola e os Quatro Crioulos(2002); Ala de Compositores da Portela (2000); Sinal aberto (1999); Brasil são outros 500(1998); Bebadachama - ao vivo(1997); Álbum musical - Francis Hime (1997); Agô Pixinguinha - 100 Anos (1997); Bebadosamba(1996); Tal pai, tal filho (1996); Pérolas negras - Leo Gandelman (1996); 50 anos - Aldir Blanc(1996); Songbook Ary Barroso - Volume 1 (1995); Clara Nunes Com Vida (1995); O Samba nas regras da arte (1995); As Flores em Vida - Nelson Cavaquinho(1994); Homenagem a Mauro Duarte (1994); João Batista do Vale (1994); Rosa de ouro - volumes I e II (1993); Paulinho da Viola & Ensemble-samba e choro Negro (1993); Gilberto Gil - Songbook Volume 3 (1992); No Tom da Mangueira (1991); Rio Show Festival - Os Melhores Momentos (1991); Eu canto samba (1989); Amiga de Verdade - AlaideCosta (1989); Noites Cariocas • Kuarup (1988); Cartola - Bate Outra Vez...(1988) Malandro - Chico Buarque apresenta (1985); Carlinhos Vergueiro • Saci (1985); Juntos - Ivan Lins (1984); Prisma luminoso (1983); Delirios & Delicias - Simone(1983); A toda hora rola uma história (1982); Paulinho da Viola(1981); Vinicius de Moraes - A Arca de Noe II (1981); Miudinho (1979); Zumbido(1979); Bandalhismo - João Bosco (1979); Paulinho da Viola (1978); Memórias cantando (1976); Memórias chorando(1976); Paulinho da Viola - Dez Anos (1976); Paulinho da Viola (1975) Pecado Capital (1975); Direitos Humanos no Banquete dos Mendigos (1974); Nervos de aço (1973); A dança da solidão (1972); Nova Bossa Nova (1972); Rádio Jornal do Brasil (1972) Paulinho da Viola(1971); Paulinho da Viola (II) (1971); Paulinho da Viola - Música Popular Brasileira (1971);  Foi um rio que passou em minha vida (1970); Portela, passado de glória (1970); Foi um rio que passou em minha vida (1969); Brasil - Do Guarani ao Guaraná (1968); Samba na madrugada (1968); Paulinho da Viola • Odeon (1968); Os sambistas • Musidisc • LP (1967); Rosa de ouro (1967); Viva o Festival da Música Popular Brasileira (1966); Roda de samba 2 (1965); (1965) Rosa de ouro (1965); Elizete sobe o morro (1965); Roda de samba (1965)"

Transcrito e adaptado do Dicionário Cravo Albin de MPB.

25/08/2016

Paulinho da Viola - Timoneiro